TSE deve definir limites para uso de deepfakes nas eleições e critérios para punições

Data:

inteligencia artificial nas eleições
inteligencia artificial nas eleições

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar nesta terça-feira (1º) um dos principais debates relacionados ao uso da inteligência artificial nas eleições de 2026: os limites para a utilização de deepfakes em campanhas eleitorais e as consequências aplicáveis em caso de descumprimento das regras.

A discussão ocorre a partir de ações que questionam conteúdos produzidos com inteligência artificial e poderá contribuir para a definição de critérios sobre o que caracteriza uma deepfake eleitoral. A tendência apontada no debate é que a Corte mantenha a vedação ao uso de conteúdos audiovisuais produzidos por inteligência artificial quando apresentarem elevado grau de realismo e forem capazes de reproduzir pessoas ou situações de forma convincente.

Deepfake é uma tecnologia que utiliza inteligência artificial para criar ou manipular vídeos, imagens e áudios com aparência realista, podendo reproduzir ou alterar a imagem, a voz e manifestações de pessoas reais, fictícias ou já falecidas.

A regulamentação eleitoral aprovada pelo TSE para as eleições de 2026 já estabelece restrições ao uso de conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial. A norma prevê deveres de identificação do material produzido com IA e medidas destinadas a impedir a disseminação de conteúdos capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.

O debate em análise pela Corte deverá aprofundar a diferenciação entre deepfakes e outras manifestações produzidas com inteligência artificial. A expectativa é que conteúdos como memes, caricaturas, animações, montagens satíricas e outras representações claramente fictícias recebam tratamento distinto daqueles materiais que buscam reproduzir a realidade de maneira suficientemente convincente para confundir o eleitor.

Outro ponto em discussão envolve as penalidades aplicáveis às campanhas e candidatos que utilizarem deepfakes de forma irregular. Entre as possíveis consequências estão a remoção do conteúdo e a aplicação de multa. Sanções mais graves poderão depender da análise das circunstâncias concretas, como a gravidade da conduta, eventual reincidência e o impacto da divulgação sobre a normalidade e a legitimidade da disputa eleitoral. As regras vigentes já preveem a remoção imediata de conteúdos em determinadas hipóteses de descumprimento.

A controvérsia também envolve a possibilidade de utilização de conteúdos sintéticos identificados expressamente como produzidos por inteligência artificial. Uma das questões centrais é saber se a simples inclusão de um aviso sobre o uso da tecnologia seria suficiente para afastar a caracterização de deepfake ou eventual irregularidade eleitoral.

O caso que levou o tema ao Plenário envolve uma ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, contra a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma convenção partidária que confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Na ação, a federação sustenta que o material teria potencial para caracterizar propaganda eleitoral irregular e violação das normas que restringem a utilização de inteligência artificial para criar ou reproduzir artificialmente a imagem e a voz de pessoas.

A defesa de Flávio Bolsonaro, por outro lado, argumenta que o uso da tecnologia foi identificado e que o público teria sido informado de que não se tratava de uma gravação autêntica ou de uma manifestação real. Os advogados sustentam que o recurso representaria uma forma de representação tecnológica semelhante a outros instrumentos historicamente utilizados em campanhas, como máscaras e bonecos.

O julgamento também deve enfrentar a discussão sobre a necessidade de demonstrar que determinado conteúdo possui efetiva capacidade de induzir o eleitor ao erro para que seja caracterizado como deepfake eleitoral. Em decisões anteriores sobre o tema, surgiram interpretações divergentes entre integrantes da Corte quanto aos critérios necessários para identificar a manipulação fraudulenta da realidade.

A definição de parâmetros pelo TSE poderá estabelecer importantes balizas para campanhas, partidos, candidatos e plataformas digitais, especialmente diante da crescente utilização de ferramentas de inteligência artificial na produção de conteúdos políticos. O desafio da Justiça Eleitoral será equilibrar a liberdade de expressão e o uso legítimo de recursos tecnológicos com a necessidade de impedir manipulações capazes de desinformar o eleitor e comprometer a integridade do processo eleitoral. O TSE já possui regras específicas para o uso de IA na propaganda eleitoral de 2026, incluindo restrições adicionais em períodos próximos à votação.

(Com informações do G1 por Márcio Falcão, Luiz Felipe Barbiéri)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Tinder processa startup portuguesa por suposta violação de propriedade intelectual

O Tinder ajuizou ação no Tribunal da Propriedade Intelectual de Lisboa contra a responsável pela startup portuguesa Swipeless, alegando possível violação de direitos de propriedade intelectual. A empresa norte-americana também apresentou recurso de 30 mil euros relacionado à disputa. A Swipeless promovia encontros presenciais entre desconhecidos como alternativa aos aplicativos tradicionais de relacionamento.

Resumos de IA do Google podem reduzir tráfego da Wikipédia, aponta estudo

Estudo preliminar da Universidade de Washington indica que os resumos produzidos pelo recurso AI Overview, do Google, podem estar associados à redução do tráfego direcionado à Wikipédia em inglês. A ferramenta apresenta respostas geradas por inteligência artificial diretamente nos resultados das pesquisas, o que pode diminuir a necessidade de acesso aos sites de origem. Como a pesquisa ainda não passou por revisão por pares, os resultados permanecem preliminares.

“Faraó dos Bitcoins” depõe à Justiça sobre suposto esquema envolvendo criptomoedas

Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, e sua esposa, Mirelis Zerpa, prestaram depoimentos à Justiça sobre o esquema financeiro investigado pelas autoridades. Segundo as investigações, o casal teria movimentado mais de R$ 38 bilhões e deixado cerca de 77 mil vítimas. Uma carteira de criptomoedas com valor bilionário está sob custódia da Polícia Federal, e Glaidson seria o único a possuir a senha de acesso. Os depoimentos também revelaram divergências entre as versões apresentadas pelo casal sobre o destino dos recursos.

BASF processa Apple nos EUA por suposta violação de patente de tecnologia de reconhecimento facial

A BASF, por meio da unidade trinamiX, processou a Apple nos Estados Unidos por suposta violação de patentes relacionadas a uma tecnologia de autenticação facial. A empresa alemã afirma ter desenvolvido, ao longo de cerca de dez anos, uma solução destinada a aumentar a segurança do reconhecimento facial contra fraudes com fotografias, máscaras 3D e réplicas de silicone. A ação envolve a utilização da tecnologia em modelos de iPhone e iPad e poderá resultar em responsabilização da Apple caso seja reconhecida a violação das patentes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo