TRF reconhece união homoafetiva como entidade familiar para fins previdenciários

Data:

TRF reconhece união homoafetiva como entidade familiar para fins previdenciários
Créditos: Marc Bruxelle / Shutterstock.com

Companheiro do beneficiário relatou que havia afeição conjugal desde 1995

O juiz federal convocado da 1ª Câmara Regional Previdenciária de Minas Gerais, Murilo Fernandes de Almeida, manteve a sentença da Justiça Estadual de Goiás de reconhecer a união estável homoafetiva, para fins previdenciários, entre o filho da parte apelante e o autor.

A mãe do falecido exigiu a reforma da sentença alegando que era dependente econômica do filho. Além disso, apontou que seu filho esteve envolvido em muitos relacionamentos amorosos e, portanto, não haviam provas que comprovassem a união afetiva entre ele e o suposto parceiro.

O companheiro do falecido entrou com a ação de reconhecimento exclusivamente para fins beneficiários. Ele relatou que o namoro teria começado em 1988, mas que somente em 1995 a união estável teria sido consolidada. Ainda de acordo com o depoimento, eles teriam permanecido juntos até 2008, momento em que o beneficiário faleceu.

As testemunhas do suposto companheiro afirmaram que o casal vivia no mesmo imóvel há anos e que ele era, de fato, proprietário do local onde o falecido teria residido durante boa parte de sua vida.

Considerações

Após observar as provas – que incluíam fotografias de datas variadas e faturas referentes aos períodos anteriores ao óbito – e ouvir relatos de ambas as partes, Murilo Fernandes apontou que havia um conjunto probatório forte o suficiente para afirmar que houve, efetivamente, um regime de união estável entre o falecido e o autor da ação.

“Não se pode negar a evidência de que a união homossexual, em nossos dias, é uma realidade de elementar constatação empírica, a qual está a exigir o devido enquadramento jurídico, visto que dela resultam direitos e obrigações que não podem colocar-se à margem da proteção do Estado, ainda que não haja norma específica a assegurá-los”, explicou Murilo Fernandes.

Reconhecimento

Ainda de acordo com o juiz convidado, o STF já decidiu sobre a possibilidade de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo como uma entidade familiar, uma vez que a união homoafetiva constitui uma convivência pública, contínua, duradoura e estabelecida com objetivo de constituir uma família.

Murilo Fernandes pontuou que não se trata de considerar retroativamente a decisão da Suprema Corte, pois a jurisprudência dominante já era favorável à possibilidade de reconhecer a união estável entre casais homossexuais como uma entidade familiar para todos os efeitos legais.

Fonte: Tribunal Regional Federal da 1ª Região

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

WhatsApp deixará de funcionar em celulares com versões antigas de Android e terá novo requisito no iPhone

O WhatsApp deixará de oferecer suporte a aparelhos com Android 5.0 e 5.1 a partir de 8 de setembro de 2026. Nos iPhones, o requisito mínimo passará de iOS 15.1 para iOS 15.5 em 30 de novembro. Usuários devem verificar a versão do sistema, atualizar o aparelho quando possível e fazer backup das conversas antes da mudança.

Gemini alcança 1 bilhão de usuários mensais e consolida expansão da inteligência artificial

O Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google, ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais, segundo o CEO da empresa, Sundar Pichai. O serviço se tornou o 14º produto do Google a atingir essa marca e, de acordo com o executivo, é o produto de crescimento mais rápido da história da companhia. A expansão da IA também intensifica debates jurídicos sobre dados, direitos autorais, responsabilidade e regulação tecnológica.

PF investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro e mira advogado

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, durante a Operação Arena, que investiga suposta lavagem de dinheiro e ocultação de recursos relacionados a jogos de azar e apostas esportivas. A ação também determinou o bloqueio e sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores e ocorre após Wilians ter sido alvo de outra investigação sobre suposta fraude envolvendo créditos de ICMS.

Plataforma é condenada a restituir valor pago por produto não entregue

A 2ª Turma Recursal do TJDFT manteve, por unanimidade, a condenação de uma plataforma de comércio eletrônico a devolver R$ 6.999 a uma consumidora que não recebeu o produto comprado. O colegiado entendeu que a empresa integra a cadeia de fornecimento e responde solidariamente pelos prejuízos decorrentes da falha na prestação do serviço.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo