Juíza afasta diretoria e antecipa falência parcial da Oi

Data:

Justiça do litigante de má-féem Mato Grosso mantém fechado banco postal dos Correios em Campo Verde
Créditos: Andrey_Popov / Shutterstock.com

A juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro, concedeu a antecipação parcial da falência da Oi, empresa de telecomunicações que já foi considerada a “supertele” brasileira e atualmente enfrenta sua segunda recuperação judicial.

A decisão não decreta a falência imediata, mas antecipa alguns de seus efeitos: suspensão do pagamento de débitos, afastamento da atual diretoria e início da transição da prestação de serviços essenciais sob a gestão de interventores.

Com isso, o comando da companhia passa aos administradores judiciais Bruno Rezende — que assumirá a gestão das operações, com obrigação de reportar ao juízo qualquer ato que envolva oneração ou alienação patrimonial — e Tatiana Binato, responsável pela gestão e transição das subsidiárias para outros prestadores de serviços.

A magistrada determinou também o afastamento da diretoria e do conselho administrativo da Oi, além de proibir contratações da empresa Íntegra, ligada ao atual CEO Marcelo Millet, por considerar irregular a prestação de serviços de assessoria.

Segundo a juíza, há “fortíssimos indícios de esvaziamento patrimonial da devedora que implica em sua substancial liquidação”, já que ativos estavam sendo negociados sem a participação de credores trabalhistas. Ela fixou prazo de 30 dias para avaliação de alternativas, sob pena de decretação da liquidação integral.

Para o advogado Filipe Denki, especialista em recuperação judicial, a medida é um marco no tratamento judicial de empresas de grande relevância econômica e social em situação crítica.

A Oi buscava paralelamente abrir um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, o chamado Chapter 11, modelo também utilizado por companhias aéreas brasileiras. No entanto, a decisão judicial aponta problemas na estratégia, como informações equivocadas, contratação de profissionais a custos elevados e ausência de plano de transição.

De “supertele” à crise prolongada

Criada em 2002 a partir da divisão móvel da Telemar, a Oi expandiu-se rapidamente, unificando marcas, adquirindo a Brasil Telecom e firmando parceria com a Portugal Telecom. Tornou-se a única grande operadora brasileira a competir diretamente com gigantes estrangeiras como Telefónica (Vivo), América Móvil (Claro) e TIM.

Em 2016, ingressou com o maior pedido de recuperação judicial já registrado no país, envolvendo dívidas de R$ 65 bilhões. Após a conclusão desse processo, voltou a solicitar recuperação em 2023, desta vez com passivo de R$ 44 bilhões e menos ativos disponíveis.

Nos anos seguintes, a empresa promoveu mudanças estruturais, deixou de ser concessionária de telefonia fixa, vendeu a unidade de banda larga para a V.tal — que passou a operar sob a marca Nio — e transferiu a Oi TV para a Mileto Tecnologia. Atualmente, sua principal fonte de receita vem da Oi Soluções, voltada ao mercado corporativo e governamental.

(Com informações da Folha de S. Paulo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

MPF cobra medidas do Discord para ampliar proteção de crianças e adolescentes

O Ministério Público Federal solicitou à Justiça que o Discord adote novas medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. Entre as exigências estão a preservação de dados de denúncias e investigações, o bloqueio de perfis banidos e canais removidos, mecanismos de verificação de idade e supervisão parental e melhorias na moderação de conteúdo. O MPF também defende a manutenção da suspensão das transmissões ao vivo até que as medidas de segurança sejam implementadas.

Justiça reconhece paternidade de homem falecido com base em DNA e outras provas

: A Justiça de São Paulo reconheceu a paternidade biológica de um homem falecido com base em um exame de DNA que apontou 98,87% de probabilidade de vínculo genético, analisado em conjunto com outras provas. O juízo considerou o relacionamento entre o suposto pai e a mãe da autora, depoimentos de familiares e o reconhecimento da filiação no âmbito da família paterna. A decisão determinou a retificação da certidão de nascimento e permitiu a inclusão do sobrenome paterno.

Tribunal reconhece união estável entre dois homens e determina divisão do patrimônio do casal

A Justiça de Santa Catarina reconheceu a união estável homoafetiva entre dois homens que mantiveram relacionamento por cerca de dez anos, com base em provas que demonstraram convivência contínua e duradoura, compartilhamento de residência, despesas, projetos e atividades empresariais. Como consequência, foi determinada a partilha igualitária dos bens adquiridos durante a união, com exclusão dos patrimônios anteriores ao relacionamento ou pertencentes a terceiros.

Justiça condena pais por expulsarem adolescente de casa por orientação sexual

A Justiça de Santa Catarina condenou os pais de um adolescente ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais após ele ser ameaçado e expulso de casa ao revelar sua orientação sexual. O pai também teria publicado conteúdos discriminatórios sobre o jovem nas redes sociais. Avaliação psicológica apontou violência psicológica, negligência afetiva e rejeição no ambiente familiar.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo