Lei de Liberdade Econômica não afasta taxa municipal para escritórios, decide STJ

Data:

modalide tributária
Créditos: Pollar SD / Shutterstock.com

A Lei de Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019) não elimina o poder de fiscalização dos municípios. Com esse entendimento, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reafirmou a legitimidade da Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLL) aplicada a escritórios de advocacia.

A decisão foi unânime ao negar o recurso especial da seccional catarinense da OAB, que contestava a cobrança realizada pelo município de Videira (SC). A taxa é destinada a custear a fiscalização e a autorização para o funcionamento de determinados estabelecimentos, conforme previsto na legislação local.

A OAB-SC argumentava que a advocacia foi classificada pela Lei de Liberdade Econômica como atividade de baixo risco, o que dispensaria alvará e licenciamento municipal. Com isso, segundo a entidade, a fiscalização deveria ocorrer apenas por meio de eventual multa, e não mediante cobrança de taxa.

Competência tributária permanece

O relator do caso, ministro Francisco Falcão, destacou que o artigo 1º, parágrafo 3º, da Lei de Liberdade Econômica expressamente limita a dispensa de alvará e licenciamento ao âmbito administrativo, sem alcançar a esfera tributária. Assim, a norma não impede a instituição da TLL.

Falcão também lembrou que a cobrança de taxas é prerrogativa constitucional dos municípios e está vinculada ao exercício do poder de polícia administrativa, conforme os artigos 77 e 78 do Código Tributário Nacional. Pelo entendimento consolidado do STJ, não é necessário comprovar a realização efetiva da fiscalização para justificar a cobrança.

“Desse modo, a edição da Lei de Liberdade Econômica não dispensa o exercício do poder de fiscalização do município, sendo legítima a exigência da Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLL)”, afirmou o ministro.

REsp 2.215.532

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anthropic adotará marca d’água em conteúdos do Claude para cumprir regras do AI Act

A Anthropic anunciou que pretende marcar textos e arquivos gerados pelo Claude com mecanismos de identificação, incluindo marcas d’água e metadados de procedência assinados digitalmente. A iniciativa busca adequar os sistemas às regras de transparência previstas no AI Act, legislação da União Europeia sobre inteligência artificial. A empresa também trabalha para aplicar os mecanismos a modelos já lançados durante o período de transição da legislação.

Agentes de inteligência artificial coordenam ações e expõem riscos à segurança digital

Pesquisadores da OpenAI apresentaram novos detalhes sobre um ataque cibernético envolvendo agentes de inteligência artificial contra a plataforma Hugging Face. Segundo os relatos, os sistemas teriam atuado de forma coordenada por dias ou semanas, explorando vulnerabilidades, compartilhando descobertas e circulando entre diferentes ambientes digitais. O caso amplia o debate jurídico e tecnológico sobre autonomia, segurança e responsabilidade no uso de agentes de IA.

Discord apresenta à AGU medidas para reforçar proteção de crianças e adolescentes

O Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. As tratativas começaram após relatório do Ministério da Justiça apontar possíveis falhas na verificação de idade e nos mecanismos de proteção de menores. O plano foi discutido com participação do Discord, do MJSP e da ANPD.

Síria condena Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

A Justiça síria condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil. O tribunal também impôs pena de morte a Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da segurança política em Daraa. As condenações fazem parte dos primeiros processos conduzidos pelas autoridades de transição contra integrantes do antigo regime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo