TJDFT mantém condenação de farmácia por queda causada por buraco na calçada

Data:

TJDFT mantém condenação de farmácia por queda causada por buraco na calçada | Juristas
Bumps in the road.
Autor-maykal

A 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) confirmou a condenação da Drogaria Drogabraz ao pagamento de indenização por danos materiais e morais a uma consumidora que fraturou a perna após cair em um buraco localizado na saída do estabelecimento.

O acidente aconteceu em julho de 2023, quando a mulher deixava a farmácia acompanhada de três filhos — entre eles, um bebê de colo e uma criança autista. Ao descer o degrau da porta, ela acabou torcendo o pé por causa de uma falha na calçada, provocada por um cano exposto. A queda resultou em fratura na extremidade distal da tíbia, exigindo cirurgia e diversas sessões de fisioterapia.

A vítima ficou temporariamente impossibilitada de realizar suas atividades rotineiras, precisou usar cadeira de rodas e muletas, e teve que ser remanejada de função na Secretaria de Educação do Distrito Federal, onde trabalha como monitora escolar. O tratamento gerou gastos de R$ 3.600,00 e impactou significativamente sua rotina familiar e profissional.

Em primeira instância, a 2ª Vara Cível, de Família e de Órfãos e Sucessões de Brazlândia determinou que a farmácia pagasse R$ 3.600,00 em danos materiais e R$ 8 mil em danos morais. A drogaria recorreu, alegando que o imóvel é alugado e que a manutenção da calçada seria responsabilidade do proprietário.

Ao analisar o recurso, o relator afirmou que a farmácia responde como fornecedora de produtos e serviços, conforme o Código de Defesa do Consumidor. O colegiado destacou que a vítima é considerada consumidora por equiparação, mesmo que não estivesse realizando uma compra no momento do acidente. Para os desembargadores, “a omissão da Apelante no dever de cuidado e vigilância sobre o acesso de seus clientes configura defeito na prestação do serviço”.

A Turma também ressaltou que o fato de o imóvel ser locado não afasta a responsabilidade do fornecedor perante o consumidor. O risco estava exatamente na saída do estabelecimento, e a falta de sinalização adequada reforça a falha na prestação do serviço.

Sobre os danos morais, os magistrados entenderam que a limitação física decorrente da lesão afetou diretamente a dignidade e autonomia da consumidora, especialmente por ela cuidar sozinha de um bebê e de uma adolescente com transtorno do espectro autista, situação que exige atenção contínua. O valor de R$ 8 mil foi considerado adequado diante da gravidade do caso e da capacidade econômica da empresa.

A decisão foi unânime.

Saiba mais sobre o processo no PJe2: 0705475-78.2024.8.07.0002

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Anthropic adotará marca d’água em conteúdos do Claude para cumprir regras do AI Act

A Anthropic anunciou que pretende marcar textos e arquivos gerados pelo Claude com mecanismos de identificação, incluindo marcas d’água e metadados de procedência assinados digitalmente. A iniciativa busca adequar os sistemas às regras de transparência previstas no AI Act, legislação da União Europeia sobre inteligência artificial. A empresa também trabalha para aplicar os mecanismos a modelos já lançados durante o período de transição da legislação.

Agentes de inteligência artificial coordenam ações e expõem riscos à segurança digital

Pesquisadores da OpenAI apresentaram novos detalhes sobre um ataque cibernético envolvendo agentes de inteligência artificial contra a plataforma Hugging Face. Segundo os relatos, os sistemas teriam atuado de forma coordenada por dias ou semanas, explorando vulnerabilidades, compartilhando descobertas e circulando entre diferentes ambientes digitais. O caso amplia o debate jurídico e tecnológico sobre autonomia, segurança e responsabilidade no uso de agentes de IA.

Discord apresenta à AGU medidas para reforçar proteção de crianças e adolescentes

O Discord apresentou à Advocacia-Geral da União uma proposta para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. As tratativas começaram após relatório do Ministério da Justiça apontar possíveis falhas na verificação de idade e nos mecanismos de proteção de menores. O plano foi discutido com participação do Discord, do MJSP e da ANPD.

Síria condena Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

A Justiça síria condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil. O tribunal também impôs pena de morte a Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da segurança política em Daraa. As condenações fazem parte dos primeiros processos conduzidos pelas autoridades de transição contra integrantes do antigo regime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo