
Alexandre Motta
Quem me conhece sabe que, se tem uma coisa que me tira do sério, são mentiras. Em função disso e sempre na intenção de ajudar o advogado a ficar cada mais vez “ligado” nas ações de marketing que permeiam a advocacia, quero usar este artigo de hoje para alertar e chamar a atenção para um ponto que vejo acontecendo mais e mais vezes no âmbito digital, em especial o das redes sociais.
Bom, você sabe que, quanto mais as pessoas interagem em sua postagem, mais ela é distribuída para outras pessoas, certo? Se não sabe, fica aqui esta dica. Quanto mais as pessoas curtirem, comentarem e compartilharem sua postagem, mais a ferramenta vai perceber que seus posts tem relevância e começam, crescentemente, a distribuir os próximos posts para mais pessoas. Esse é um princípio básico de muitas redes. O problema está no fato que muitos espertalhões, que não conseguem se garantir no conteúdo de qualidade, usam truques para que as pessoas cliquem e comentem em suas postagens, ganhando assim cada vez mais notoriedade em cima de truques baratos e não de conteúdos reais e proveitosos.
Mostro aqui alguns aspectos desse tipo de problemática nos meios digitais hoje em dia:
Clickbait: a tradução deste termo seria “isca de cliques” e nada mais é do que colocar uma imagem ou título extremamente chamativo na postagem, mas que não tem nada a ver com o conteúdo real. Então você vê o título “Mendigo compra Lamborghini” com a foto de uma pessoa humilde em frente a um carrão de 3 milhões e obviamente quer entender como aquilo foi possível. Ao clicar, vê que a postagem, na verdade, era sobre um cara rico que se vestiu de mendigo para entrar em uma concessionária. Mas, até aí, você já clicou e leu a material, gerando a interação que o mentiroso queria. Outro tipo de clickbait é quando a pessoa coloca um título “Como Fazer X” e quando você vai ler a matéria completa, o autor apenas está descrevendo o que é o assunto, mas não mostrando como fazer (que é a chamada do post). Isso acontece muito no marketing jurídico, onde o que mais vemos são chamadas de “como ganhar clientes”, mas a matéria explica as ferramentas que um advogado pode usar dentro marketing, mas não fala COMO implementar cada uma delas. “O QUE” é diferente de “COMO”, certo?
Polêmica: uma outra maneira de gerar interação de uma maneira cretina é criando uma polêmica. Então postagens que claramente dão margem à irritação das pessoas são as preferidas. Fique esperto então quando ver postagens complicadas, como, por exemplo, “Hitler pode ser considerado REALMENTE um vilão no mundo? Tem certeza?” Obviamente as pessoas vão cair matando em cima desse post sem noção e usar de milhões de xingamentos, argumentos e qualquer arma que tiverem na mão para criticar e dar seu ponto de vista. O que as pessoas não percebem é que, ao fazer isso, estão colaborando para o melhor ranqueamento do mentiroso, sem que ele ao menos saiba das atrocidades que Hitler fez no mundo. Não se deixe levar então pelas emoções nestes casos. Use a boa e velha racionalidade. Se você quer entender um pouco mais sobre este tipo de manipulação usada, pesquise os termos “Gaslighting” e “Triggering” voltados para redes sociais.
Polêmica entre grupos: se no ponto anterior o mentiroso criou uma polêmica onde todo mundo ficou bravo com ele e entrou na postagem para xingar ou dar lição de moral (sendo que a cada xingamento o mentiroso ficada cada vez mais feliz, ganhando interação), aqui o foco é jogar a bomba e deixar as pessoas se matarem. Faça um teste e faça um post, por exemplo, falando “advogados trabalhistas ganham mais dinheiro que advogados tributaristas”. Poste e saia. Em pouco tempo, vai acontecer, em uma primeira etapa: 1) o advogado trabalhista falando que você está errado e que ele não ganha nada 2) o advogado tributarista falando que ele também não ganha nada 3) o advogado trabalhista que concorda com seu post e diz que a vida dele está muito boa 4) o tributarista que discorda de você e fala que o Tributário deu tudo o que ele precisava para a vida financeira dele 5) o sem noção que vai responder coisas desconexas da postagem, como “com a atual conjuntura do país isso é uma vergonha”, “você só não está evoluindo porque não tem fé no coração” ou “o que interessa é que meu time ganhou” e outras mais. Isso vai acontecer em uma primeira etapa. Na segunda etapa (sem o mentiroso ter interagido com nenhuma pessoa), uma vai se virar contra a outra e começar a responder os comentários uns dos outros, brigando entre si. Daí pra frente, a batalha de egos começou e vai ser textão em cima de textão, cada um defendendo sua verdade. Pronto, o mentiroso conseguiu o que queria, todo mundo comentando na postagem dele.
Truques gerais: Esses são os piores e estão em todas as redes. É aquele post que coloca opções para você interagir, por exemplo: se você se formou em Direito há mais de 20 anos, clique no botão curtir. Se você se formou em Direito há mais de 10 anos, clique no botão coraçãozinho. Se você se formou em Direito há mais de 5 anos, clique no botão risada. E por aí vai. Independente do que você escolha, você está contribuindo com a interação da pessoa. Se a pessoa, antes de clicar, pensasse, ia se questionar: porque isso é relevante para essa pessoa? Ele está fazendo algum tipo de senso? Porque tenho que dar este tipo de informação? Pense antes de clicar. Isso quando a pessoa não lança recursos patéticos como “Você já viu a nova ferramenta do Linkedin? Dê dois cliques na postagem para ver”. Se a nova ferramenta do Linkedin for cara de pau de pessoas que não tem conteúdo, o mentiroso acertou em cheio.
Sugestionabilidade: aqui é quando você é levado a acreditar que o post está falando de alguma coisa, mas está falando de outra. Um exemplo “Stallone compra mansão no Rio de Janeiro”. Quando você clica para ler a matéria, o “Stallone” em questão era José Ribeiro, apelidado de Stallone pelos seus amigos de academia. Afinal de contas, ele não te falou que era o Sylvester Stallone, você que deduziu isso, certo? Você vai ficar decepcionado, porém o que o mentiroso queria já aconteceu, que é o seu clique na publicação dele.
Pesquisa: acho que única nesta lista “se salva” é a Pesquisa. Obviamente existem pesquisas que tem a intenção exclusiva de gerar cliques e visualização (muitas com perguntas polêmicas como no item “Polêmica”) e estas devem ser realmente evitadas, mas vejo também diversas pesquisas (geralmente em Linkedin e Facebook que tem formatos próprios para isso) que tem cunho realmente verdadeiro, com a intenção de busca de informações genuínas de mercado.
Estender o assunto: esse talvez seja mais usado em blogs, mas ainda é válido como alerta. Você vê na postagem o título “Esse gato ficava encarando seu dono durante a noite inteira. Você não vai acreditar o motivo insano por trás disso”. Quando clica, começa-se uma história que vai desde do dia que o cara comprou o gato até o eventual acontecimento que dá nome ao post. O detalhe aí é que apenas dois parágrafos da história estão na página, ou seja, você lê dois primeiros parágrafos (e consequentemente vê todos os anúncios que estão junto – e é exatamente isso que o mentiroso quer) e depois tem que clicar no “continuar” para acessar a próxima página e continuar a ler a história (e consequentemente ver mais anúncios que enchem o bolso do mentiroso). Isso se estende por diversas páginas até a conclusão da história, que geralmente é bastante decepcionante. Acredite, eu já fiz isso (eu queria saber o que a porcaria do gato tinha feito!!).
Nem vou entrar na polêmica dos advogados vendedores que sabem a fórmula mágica de ganhar clientes, mas preferem viver de vender curso na internet, pois esse assunto já abordei em outros artigos. Aliás, qualquer pessoa que tenha pelo menos 1% de racionalidade no cérebro e entenda apenas um pouco de comportamento humano, saberia que o que está sendo trabalhando nesse formato é o desejo de ganhar muito com pouco esforço, coisa que nunca existiu.
A ideia aqui não foi denegrir nenhum tipo de postagem, mas sim alertar as pessoas sobre essas iscas “espertonísticas” das redes sociais.
Fique ligado e bom crescimento!
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