
Antonio Baptista Gonçalves
Por muitos anos, parte da sociedade brasileira consagrou a frase: “bandido bom é bandido morto”, em uma aprovação velada à letalidade policial em confronto com criminosos. E o estado de São Paulo, por exemplo, adotou, desde que o atual governador iniciou sua gestão, uma reação repressiva das forças policiais, o que produziu o aumento da letalidade.
O governador defende o uso da força em virtude da queda do número de furtos e roubos no estado. Não por acaso, a letalidade policial aumentou 17% no primeiro trimestre de 2026.
A Segurança Pública tem sido a maior preocupação dos brasileiros e o endurecimento penal é uma constante no Congresso Nacional, a casa das leis. Estados como Amapá, Bahia e Rio de Janeiro convivem com conflitos entre polícias e organizações criminosas cotidianamente. O Rio de Janeiro, inclusive, promoveu operação policial nos Complexos do Alemão e da Penha com121 mortes.
Logo após a megaoperação foi realizada uma pesquisa Genial/Quaest na qual 67% dos brasileiros aprovavam a operação, apesar de 55% das pessoas, quando perguntadas se gostariam que esse modus operandi fosse implementado no seu estado, responderam que não.
Com a violência e os crimes em alta a quantidade de presos aumenta. Não é uma novidade, afinal, com uma política de encarceramento em massa, desde o massacre do Carandiru, em 1992, voltada para a repressão ao tráfico de drogas, a população carcerária aumentou de pouco mais de 100 mil detentos para os atuais mais de 900 mil em pouco mais de trinta anos de lapso temporal.
Como a ressocialização prisional é falha e a reincidência criminal é superior a 40%, criou-se a ilusão de que o preso é um problema para a sociedade e que tê-lo por perto significa um perigo constante. Esse preconceito produziu a imposição de uma pena social, isto é, julgar o egresso (aquele que cumpriu pena) como um eterno bandido e, por conseguinte, não ser digno de nova chance ou possibilidade de recomeço, afinal, uma vez bandido, sempre bandido.
Para essas pessoas a “melhor solução” é bandido morto. Não há custos para o Estado, não há risco para a sociedade e o crime cessa. Um olhar simplista de um problema endêmico muito mais profundo e, claramente, sem solução por vias extremas, como o evento morte.
Felizmente essa visão tem se alterado. Em pesquisa do Instituto Sou da Paz sobre violência, agora, apenas 20% da população concorda com a frase “bandido bom é bandido morto”. E outras respostas indicam essa mudança: para 82% dos entrevistados há a aprovação do uso das câmeras corporais pela polícia e 73% afirmam que mais armas em circulação gera mais insegurança.
Os estados têm promovido o aumento do uso de câmeras corporais, São Paulo, por exemplo, pretende aumentar o atual acervo de dez mil para quinze mil. A percepção coletiva é que o crime tem aumentado e modificado a vida cotidiana das pessoas. Na mesma pesquisa, 57% mudaram sua rotina por conta da violência e 94% reconhecem algum grau de violência na cidade onde vivem.
Claro está que a violência e a insegurança serão a pauta de 2026, especialmente, no período eleitoral que se aproxima. E a parte mais interessante da pesquisa é que 73% dos entrevistados acreditam que os criminosos devem ser presos e julgados pelos seus crimes.
Uma clara mudança de percepção ao antigo “bandido bom é bandido morto”. Agora, a mudança cria a frase: “Bandido bom é bandido preso”.
A segurança para a população perpassa pela mudança de atuação das polícias e no aumento da inteligência e do uso da tecnologia. O modelo de repressão precisa dar lugar para a investigação e a prevenção de crimes.
O crime será reduzido quando houver o devido processo legal, quando os criminosos forem presos, processados e condenados. Muitos deles são presos e liberados no dia seguinte, quando da Audiência de Custódia, pouco dias depois, ou nem isso, são presos novamente por novo delito. A produção da prova precisa mudar para garantir que o criminoso, de fato, seja preso e condenado. É o caminho para a Segurança Pública. Bandido bom é bandido preso e cumprindo pena.
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