Banco Central deve reduzir juros após 1 ano de Selic a 13,75%

Data:

regime tributário
Créditos: topseller / Shutterstock.com

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (2) e deve reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic), atualmente em 13,75%. Se confirmado, esse será o primeiro corte dos juros em três anos. A última queda aconteceu em agosto de 2020, em meio à fase mais tensa da pandemia da Covid-19, quando a taxa Selic chegou a 2% ao ano (o nível mais baixo da história).

Em pesquisa com mais de 100 bancos na semana passada, sobre as expectativas do mercado financeiro, o BC obteve o resultado de que o mercado espera uma queda de 0,25 ponto percentual. No entanto, alguns analistas preveem que a taxa anual deva cair 0,5 ponto percentual chegando a 13,25%.

Conforme o UOL, que ouviu especialistas sobre o tema, eles veem o arcabouço fiscal como ponto favorável ao corte nos juros. Mas o fato de o texto ainda ter que passar pela Câmara de novo justificaria uma redução mais conservadora na Selic, analisou a economista Laura Moraes, da Neo Investimentos.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-04/no-ultimo-dia-de-prazo-receita-ja-recebeu-2576-milhoes-de-declaracoes-do-ir
Créditos: Zodar / Shutterstock.com

Os analistas ouvidos pelo UOL reforçam que ainda há muitas incertezas sobre a inflação e os juros nos Estados Unidos e na Europa. O economista Lucas Farina, da Genial Investimentos, cita como exemplo a suspensão pela Rússia do transporte de grãos da Ucrânia, “o que pode pressionar o preço das commodities”.

Os analistas mais otimistas consultados pelo UOL citam os últimos dados de inflação como principal justificativa para uma queda maior nos juros, de 0,50 ponto, para 13,25% ao ano. A prévia de julho do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) indicou deflação de 0,07% no mês.

Os especialistas concordam que a inflação ainda preocupa, uma vez que as projeções para 2023 (3,89%, segundo o último Boletim Focus) seguem acima do centro da meta, que é de 3,25%. Mesmo assim, Ana Paula Carvalho, sócia da AVG Capital, diz que o IPCA “tem mostrado uma melhora qualitativa”, com quedas nos preços da energia e dos alimentos, o que justificaria um corte maior na Selic.

A reunião do Copom será a primeira após a chegada dos primeiros diretores indicados pelo governo Lula. A ata da última reunião já havia mostrado uma divergência sobre a sinalização da trajetória dos juros. A divisão entre os integrantes do comitê deve ganhar um novo impulso agora com a chegada dos diretores Gabriel Galípolo e Ailton Aquino.

Desde o início do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do seu governo vêm criticando o BC por manter a taxa em 13,75%. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, argumenta que a manutenção da taxa foi importante para conter a inflação. Campos Neto tem autonomia, ou seja, não pode ser demitido por Lula.

Sobre a Selic

Banco Central deve reduzir juros após 1 ano de Selic a 13,75% | Juristas
Créditos: marchmeena29 / iStock

A Selic foi criada em 1979, quando o Brasil vivia um cenário de hiperinflação e o governo buscava maneiras de controlar o problema e manter o poder de compra da população. Até hoje a taxa é a principal ferramenta do governo para equilibrar a economia.

Definida a cada 45 dias pelo Copom, a Selic influencia todas as demais taxas de juros do país – como as cobradas em empréstimos, financiamentos e até as de retorno sobre aplicações financeiras, tendo assim papel fundamental na economia do país: além de servir como base para as outras taxas de juros, ela também impacta o comportamento da inflação e o retorno dos investimentos.

Relação com a inflação

A inflação geralmente é causada pelo consumo da sociedade. Assim, à medida que a demanda por bens e serviços cresce, os preços também aumentam; pelo mesmo raciocínio, os preços caem se a procura por esses itens diminui.

Banco Central deve reduzir juros após 1 ano de Selic a 13,75% | Juristas
Créditos: studioarz / Shutterstock.com

Um dos motores do consumo é a oferta de crédito, ou seja, o acesso da população a empréstimos, linhas de crédito e financiamentos. Quanto mais barato for o crédito, mais as pessoas tendem a gastar e, consequentemente, impulsionar a inflação.

Dessa forma, ao aumentar a taxa Selic, o Banco Central busca desaquecer a economia, limitando a quantidade de dinheiro em circulação e tirando a pressão da demanda. Quando os preços estão subindo moderadamente, dentro da chamada “meta de inflação”, o Copom pode decidir baixar a Selic e incentivar crédito e consumo.

Esse mecanismo de controle da inflação por meio da Selic funciona melhor quando os preços estão subindo por uma alta na demanda. Pode haver, porém, uma queda na oferta – seja por desastre climático, pandemia ou guerra – e, nesse caso, aumentar a Selic pode não ser o suficiente para controlar a alta dos preços.

Com informações do UOL e G1.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos por lá.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

II International Cyberlaw Conference concederá certificado de participação de seis horas aos inscritos

Os inscritos no II International Cyberlaw Conference, promovido pela Juristas Academy, receberão certificado de participação com carga horária de seis horas. O evento será realizado no dia 30 de julho de 2026, das 13h às 19h, em formato totalmente on-line e com participação gratuita.

Revista Juristas lança 8ª edição com entrevista sobre inteligência artificial, inclusão digital e futuro do Judiciário

A Revista Juristas apresenta sua 8ª edição, correspondente ao mês de julho de 2026, reafirmando o compromisso de promover conteúdo técnico, atual e qualificado sobre os principais desafios enfrentados pelo Direito contemporâneo. A nova edição reúne entrevistas, artigos jurídicos e análises assinadas por magistrados, advogados, professores e especialistas de diferentes áreas.

WhatsApp amplia recursos para edição de PDFs e facilita compartilhamento de documentos no ambiente digital

O WhatsApp passou a permitir a abertura e a realização de anotações em arquivos PDF diretamente nas versões Web e Windows. A atualização elimina a necessidade de baixar documentos para consultas e marcações básicas, tornando mais ágil o compartilhamento e a revisão de arquivos no ambiente digital.

TJ-SP mantém condenação de companhia aérea por atraso de 72 horas em voo internacional

O TJ-SP confirmou a condenação de uma companhia aérea ao pagamento de R$ 10 mil de indenização por danos morais para cada passageira em razão de atraso de cerca de 72 horas em voo internacional. O tribunal entendeu que a manutenção não programada da aeronave configura fortuito interno, caracterizando falha na prestação do serviço e ensejando responsabilidade da transportadora.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo