Funcionários usam inteligência artificial para criar notas falsas em relatórios de despesas

Data:

Futuro do Direito - Inteligência Artificial
Créditos: Pete Linforth / Pixabay

Funcionários de diversas empresas têm recorrido a ferramentas de inteligência artificial (IA) para criar notas fiscais falsas e enganar sistemas de controle de gastos corporativos. A prática vem sendo observada por companhias de auditoria como a AppZen e a Ramp, segundo reportagens do New York Times e do Financial Times.

De acordo com a AppZen, cerca de 14% das notas submetidas à sua plataforma em setembro foram geradas por IA. Já a Ramp identificou US$ 1 milhão em notas fraudulentas nos últimos 90 dias.

“As falsificações estão tão convincentes que orientamos nossos clientes a não confiarem apenas no que veem”, afirmou Chris Juneau, vice-presidente de marketing da Sap Concur, ao Financial Times.

Como as falsificações são criadas

A criação de notas falsas não exige conhecimento técnico avançado. Basta escrever comandos detalhados em ferramentas de IA generativa para gerar imagens realistas. Alguns usuários ainda aprimoram os resultados com efeitos de desgaste, manchas e dobras — tudo para dar aparência de autenticidade.

Embora algumas IAs impeçam a geração de documentos fraudulentos, há quem consiga burlar as restrições com “prompts disfarçados”, pedindo, por exemplo, a criação de notas para fins artísticos ou literários.

Outra tática comum é fazer capturas de tela das notas falsas, o que apaga os metadados e dificulta a detecção por softwares de segurança.

Como as empresas reagem

Para combater o problema, empresas de auditoria têm usado a própria IA para detectar padrões suspeitos. A AppZen, por exemplo, cruza dados da nota fiscal com informações históricas, como o local da viagem, o nome do atendente e a data do gasto, para verificar a autenticidade dos documentos.

No Brasil, a fraude é mais difícil devido ao uso obrigatório de QR Code nas notas fiscais, que permite conferir o valor e os dados oficiais do documento. As exceções ocorrem em notas emitidas por MEIs e prestadores autônomos, que nem sempre seguem o mesmo padrão.

Risco jurídico

Segundo o advogado tributarista Júlio Cesar Soares, da Advocacia Dias de Souza, o uso de notas falsas para obter reembolso ou vantagem financeira configura fraude, podendo resultar em demissão por justa causa e, em casos mais graves, crime contra a ordem tributária.

(Com informações do Tilt/UOL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo