
Carlos Henrique Abrão
Os resultados das urnas de 04 de outubro de 2026 refletem, com o índice de abstenção, votos nulos e brancos, um total descrédito eleitoral nacional por causa do sistema, que já não representa a cidadania e muito menos o interesse da sociedade civil como um todo. Há uma manifesta fadiga do material político, com o voto obrigatório, fundos bilionários eleitorais, famílias que prosperam há décadas no mesmo curral eleitoral e uma sucessão de erros que deve ser combatida pela mudança total desta circunstância, que não mais anima o cidadão e transparece um descaso provocado pelo aumento da corrupção e pela falta de participação popular no processo eleitoral.
As reformas político-partidárias são urgentes. Não há, ao contrário do Primeiro Mundo, o contato direto do candidato com o público. Urge o voto distrital, e as plataformas digitais mudaram completamente o ambiente do voto. Por conseguinte, assistimos a candidatos com mais de décadas na política sendo reeleitos. Porém, uma alvissareira notícia é a incredulidade com velhos partidos e políticos que tinham sido anteriormente submetidos à responsabilização pelos crimes cometidos.
Surgem, é inegável, novas lideranças com apoio e força popular. As transformações são necessárias e imprescindíveis, porém temos que o Nordeste continua sendo o carro-chefe do atraso por força de benesses e bolsas sociais governamentais. Ali reside a maior participação do atual governo e das prioridades de se manter o atraso como bônus de se assegurar o voto de confiança nas lideranças do passado.
Uma abstenção que supera vinte por cento, reunida com votos em branco e nulos, é bastante preocupante e revela um esgarçamento do tecido eleitoral e social, no qual o eleitor se despede das urnas por não mais ver qualquer possibilidade de mudança. Os sonhos se transformam em pesadelo.
O que assistimos é à derrota do modelo econômico fracassado, com milhões de famílias endividadas e tantas empresas fechadas e/ou em recuperação judicial, sem se cogitar do agro, que está tentando superar o impasse da falta de recursos e de planos de seguro compatíveis com o modelo de produção.
Enfim, o julgamento, se de um lado percorre o caminho do fracasso econômico, de outro revela a sensação de não se poder mais continuar na mesma estrada, quando a cidadania está em xeque e o eleitor prefere se abster a participar de algo viciado e sem solução.
É a primeira batata quente para os eleitos, notadamente do Senado, ao tomarem posse: rever completamente o modelo e incrementar medidas que assegurem transparência e maior participação, além da torrencial chuva de liminares que prejudica o pleito, coloca e retira o candidato no apagar das luzes, sem motivação plausível.
Vivemos um momento de turbulência política e de total descrédito eleitoral, mas que possam as raízes deste processo negativo servir de motivação para uma efetiva mudança que consagre a plena democracia. Inclusive, o enfadonho modelo de quatro em quatro anos já se esgotou, e as causas são diversas.
Acordem, políticos, para que o amanhã possa ser melhorado e não piorado, com a total diáspora da população das urnas e da eleição.
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