
Estudo mostra baixo nível de informação sobre a conferência climática, que será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA)
A poucos dias do início da COP-30, uma pesquisa do Instituto Ipsos revelou que quase metade dos brasileiros (48%) ainda não sabe qual é o objetivo principal da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Apenas 52% afirmaram entender que o evento tem como foco negociar ações globais para combater a crise climática.
O levantamento, intitulado “Atitudes em relação à COP-30”, foi realizado entre 20 de junho e 4 de julho de 2025, em 30 países, com 23.700 entrevistados maiores de 18 anos. Entre os brasileiros, apenas 35% sabem que a COP será sediada em Belém, o maior índice entre todos os países pesquisados — a média global é de apenas 12%.
Segundo o Ipsos, o baixo reconhecimento público pode ser explicado pela divulgação ainda limitada e pela cobertura incipiente da mídia, tendência que deve mudar com a aproximação do evento. Países que já sediaram a conferência, como Alemanha (64%), França e Reino Unido (59%), apresentaram níveis de conhecimento bem superiores à média global, de 44%.
Expectativas e percepções
A pesquisa aponta também ceticismo em relação aos resultados da COP-30. Globalmente, 49% dos entrevistados acreditam que o evento será apenas simbólico, enquanto 34% esperam avanços concretos. No Brasil, os números são semelhantes: 43% têm expectativa negativa, 41% acreditam em resultados efetivos e 16% se mantêm neutros.
Os jovens da Geração Z são os mais otimistas — 45% confiam na eficácia da conferência, em contraste com 29% dos baby boomers. O Sul Global também apresenta maior esperança: 51% dos participantes no Oriente Médio e África, 43% na Ásia-Pacífico e 39% na América Latina veem o evento de forma positiva. Já nas economias desenvolvidas, o ceticismo predomina — apenas 25% na Europa, 24% na América do Norte e 22% nos países do G7 acreditam na efetividade da COP.
Para Márcia Cavallari, diretora do Ipsos, “os jovens e os cidadãos de países do Sul Global tendem a encarar as políticas climáticas como essenciais para suas futuras condições de vida, o que explica o maior otimismo”.
As principais barreiras à ação climática apontadas pelos entrevistados foram:
- Falta de vontade política (42%);
- Ausência de fiscalização contra desmatamento e poluição (34%);
- Escassez de financiamento para projetos ambientais (31%).
Empresas, bilionários e responsabilidade climática
O levantamento mostra forte desconfiança em relação às empresas e aos bilionários. Em média, 69% dos entrevistados no mundo — e 70% no Brasil — acreditam que as companhias priorizam o lucro em detrimento da preservação ambiental. Nenhum dos 30 países pesquisados apresentou índice inferior a 50%.
Apesar disso, a maioria defende maior responsabilidade financeira:
- 64% dos brasileiros e 65% da média global acreditam que as empresas deveriam destinar parte dos lucros para ações climáticas;
- 56% dos brasileiros e 54% da média global entendem que bilionários devem arcar com a maior parte dos custos da transição climática.
Segundo Cavallari, “os resultados indicam uma pressão crescente por maior contribuição dos mais ricos e das grandes corporações, diante da percepção de que governos e empresas têm feito menos do que prometem”.
Amazônia, agronegócio e papel do Brasil
Metade dos brasileiros acredita que a expansão do agronegócio é incompatível com a preservação da Amazônia, enquanto 19% discordam e o restante não opinou. O índice é superior à média global (42%) e semelhante ao de outros países amazônicos, como Colômbia e Peru.
“O agronegócio precisa demonstrar de forma concreta como pode conciliar produção e preservação”, observou Cavallari.
No cenário internacional, 59% dos brasileiros — e 55% da média global — defendem que países desenvolvidos devem compensar financeiramente os mais afetados por desastres climáticos. Essa posição é mais forte em nações em desenvolvimento, como Indonésia, África do Sul e Colômbia, e mais fraca em países ricos como Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Alemanha, onde menos da metade da população concorda com a medida.
A maioria dos entrevistados também apoia a postura do governo brasileiro de buscar financiamento internacional para países que preservam florestas — com 62% de apoio no Brasil e 61% na média global.
Durante a conferência, o Brasil apresentará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado para remunerar quem protege biomas essenciais ao equilíbrio climático. O objetivo é atrair novos recursos internacionais e reforçar a liderança do país na agenda ambiental global.
(Com informações do UOL)
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