Cientistas anunciaram um avanço inédito: pela primeira vez, “minicérebros” humanos cultivados em laboratório conseguiram amadurecer de forma acelerada. Essa conquista pode representar uma mudança significativa na forma como a ciência estuda o Alzheimer.
O pesquisador Alysson Muotri, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), explicou em entrevista ao Jornal da CBN que os minicérebros são estruturas neurais formadas a partir de células-tronco de uma pessoa viva. Essa técnica permite recriar o cérebro de um paciente com Alzheimer para investigar como a doença se desenvolve ao longo do tempo.
“Como o Alzheimer está diretamente relacionado ao envelhecimento, normalmente seria necessário esperar anos para compreender os processos moleculares e celulares da doença”, destacou o cientista.
Para contornar esse desafio, a equipe utilizou uma malha de grafeno — um material feito de carbono, extremamente fino e que não interfere no tecido neural — para estimular os neurônios com luz.
“Quando expostos à luz em uma interface com grafeno, conseguimos acelerar o amadurecimento dos neurônios. Isso nos permite economizar tempo nas pesquisas sobre o Alzheimer”, explicou Muotri.
Ele acrescenta que a nova tecnologia abre caminho para intervenções terapêuticas mais precisas e favorece a detecção precoce da doença.
“Esse avanço já nos leva ao conceito de medicina personalizada. Podemos informar o paciente sobre o risco de desenvolver Alzheimer e, com isso, orientar mudanças no estilo de vida ou até propor tratamentos específicos”, concluiu.
(Com informações da CBN
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