Uruguai aprova lei de eutanásia com ampla maioria no Senado

Data:

aplicação de injeção benzetacil
Créditos: Esben_H / iStock

O Senado do Uruguai aprovou, após mais de 11 horas de debate, a lei que descriminaliza e regulamenta a eutanásia, tornando o país o primeiro da América Latina a instituir formalmente a morte assistida. O projeto foi aprovado por 20 votos a favor entre os 31 senadores presentes. O presidente Yamandu Orsi já sinalizou concordância e deve promulgar a norma em breve.

O texto, conhecido localmente como “lei da morte digna”, já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto. No Senado, a votação ocorreu de forma relativamente tranquila, em razão da maioria da coalizão Frente Ampla, que apoiou o projeto.

Conteúdo da lei

A legislação permitirá a morte assistida em situações específicas, como doença terminal e sofrimento intenso, desde que o pedido seja voluntário e consciente do paciente. O procedimento será regulamentado de maneira a garantir segurança, transparência e proteção tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde.

O projeto se baseou em experiências internacionais, com destaque para países como Bélgica e Holanda, onde normas semelhantes já estão em vigor há décadas. Durante o debate, os senadores discutiram questões centrais como direito à vida, direito à morte e dignidade humana.

Divisão política

Apesar de uma sessão cordial, o tema gerou divisão entre os blocos políticos. O Partido Colorado (centro) e o Partido Nacional (centro-direita) apresentaram posições divergentes, enquanto a Frente Ampla (esquerda) apoiou o projeto. A sessão foi marcada por momentos emocionantes, com relatos de pessoas que sofreram por serem obrigadas a manter vidas prolongadas em sofrimento.

Cuidados paliativos preservados

Os defensores da lei enfatizaram que a eutanásia não inviabiliza os cuidados paliativos. Segundo a senadora Liliam Kechichian (Frente Ampla), a manifestação antecipada do paciente quanto à eutanásia não impede o acesso aos cuidados paliativos. Ela destacou:

“Uma vida em sofrimento constitui deterioração da existência. O sofrimento desnecessário é violência.”

O Uruguai já havia aprovado, em 2023, a Lei de Cuidados Paliativos, que garante o direito universal a atenção paliativa para pessoas com doenças graves e progressivas, reforçando que a nova lei de eutanásia complementa, e não substitui, os cuidados de saúde paliativos.

(Com informações do site UOL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-SP limita juros de mora em cédula de crédito bancário a 1% ao mês e mantém nulidade de cláusula contratual

O TJ-SP confirmou a nulidade de cláusula contratual que previa juros de mora de aproximadamente 12,05% ao mês em cédula de crédito bancário. O tribunal entendeu que a Lei nº 10.931/2004 permite a livre pactuação apenas dos juros remuneratórios, mantendo os juros moratórios limitados ao percentual legal de 1% ao mês. A decisão também reconheceu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor à relação contratual.

Justiça determina inclusão de compositora nos créditos de música de Marcelo D2 e reforça direito à autoria

A Justiça determinou a inclusão do nome de uma compositora nos créditos de uma música de Marcelo D2, ao reconhecer seu direito ao crédito autoral. A defesa do artista afirma que o reconhecimento nunca foi retirado e sustenta que a situação será esclarecida nas instâncias competentes. O processo ainda pode ser objeto de recurso.

Anac garante assentos gratuitos ao lado de responsáveis para menores de 16 anos em voos

A Anac publicou resolução que obriga as companhias aéreas a acomodarem menores de 16 anos em assentos ao lado de seus responsáveis, sem cobrança de taxa adicional pela marcação. A exceção ocorre apenas nos casos de escolha de assentos especiais ou mudança de classe. A medida atende a decisão judicial e reforça a proteção de crianças e adolescentes no transporte aéreo.

MPDFT aciona Virginia Fonseca e Blaze por suposta publicidade abusiva de apostas durante a Copa do Mundo

O MPDFT ajuizou ação civil pública contra Virginia Fonseca e a Blaze, alegando publicidade abusiva e indução de consumidores a apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026. O órgão pede a remoção de conteúdos promocionais considerados irregulares e indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 120 milhões. A influenciadora e a empresa negam irregularidades e afirmam que apresentarão suas defesas no processo.