IBGE inicia atualização do mapa da Mata Atlântica atendendo a recomendação do MPF

Data:

IBGE inicia atualização do mapa da Mata Atlântica atendendo a recomendação do MPF | Juristas
Créditos: bee32| iStock

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou o início dos trabalhos para a atualização do mapa que mostra a distribuição da Mata Atlântica no território brasileiro. A decisão foi tomada em resposta a uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para garantir maior precisão na delimitação desse bioma.

O mapa, publicado pelo IBGE há 17 anos, é um instrumento essencial para a correta aplicação das leis ambientais, identificação de áreas prioritárias para conservação e planejamento de ações de restauração ecológica. No entanto, o MPF apontou que, devido à dinâmica constante do bioma e lacunas na versão atual, a atualização se faz necessária.

IBGE inicia atualização do mapa da Mata Atlântica atendendo a recomendação do MPF | Juristas
Créditos: Paul Hartley / Istock

O MPF destacou que a Mata Atlântica passa por mudanças frequentes, influenciadas por atividades humanas e eventos naturais, o que exige uma revisão constante do mapa. Além disso, identificou lacunas e omissões na última versão, prejudicando a aplicação das leis ambientais.

Uma das áreas destacadas pelo MPF foi a APA Morro da Pedreira, em Minas Gerais, que não foi reconhecida no mapa, colocando em vulnerabilidade jurídica os remanescentes florestais na região. O MPF enfatizou que estudos científicos, pesquisas acadêmicas e documentos oficiais comprovam a presença da Mata Atlântica nessa área.

Instituto Brasileiro de  Geografia e Estatística (IBGE)O IBGE informou que já iniciou os estudos de integração temática para atualização dos limites do mapa, incluindo atividades de campo. Além disso, consultou o Ministério do Meio Ambiente sobre a atualização do Mapa de Aplicação da Lei 11.428. O novo mapa, que deve conter ressalvas sobre remanescentes abaixo da escala, tem previsão de ser concluído até 2026, mas o IBGE planeja publicá-lo no segundo semestre de 2025.

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em diversidade no planeta, por outro lado, é também um dos mais devastados por atividades humanas, em especial, urbanização, desmatamento, agricultura e mineração.

Em Minas Gerais, a Mata Atlântica ocupava inicialmente 49% da área do estado, mas sua cobertura original foi drasticamente reduzida, representando hoje apenas 7%. Um estudo divulgado em 2022 destacou que Minas lidera o ranking de desmatamento desse bioma no país.

“Mas o fato é que, apesar de devastada e fragmentada, esse bioma ainda abriga alta diversidade de espécies da flora e da fauna, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas. Para se ter ideia, cerca de 70% das espécies de mamíferos que ocorrem em todo o domínio de Mata Atlântica estão localizados em Minas, como é o caso do muriqui-do-norte, o maior dos macacos neotropicais. Mais de 300 espécies vegetais só existem nas matas atlânticas de Minas Gerais”, lembra o procurador da República Angelo Giardini, autor da recomendação.

Para o Ministério Público Federal (MPF), a presença de áreas de Mata Atlântica na Área de Proteção Ambiental (APA) Morro da Pedreira é um fato notório, comprovado inclusive pelos planos de manejo tanto da referida unidade de conservação quanto do Parque Nacional da Serra do Cipó. A presidência do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas também comunicou ao MPF a identificação, por meio de levantamentos e estudos apoiados pelo comitê, do bioma Mata Atlântica em localidades situadas na APA Morro da Pedreira, especialmente na Bacia do Rio Taquaraçu.

Com informações do Supremo Tribunal Federal (STF).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-PI apresenta novas ferramentas de Inteligência Artificial para modernizar serviços do Judiciário

O Tribunal de Justiça do Piauí apresentou novas ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas pelo Opala Lab para auxiliar magistrados e servidores, otimizar processos e modernizar os serviços judiciais. As soluções incluem sistemas de transcrição de audiências, análise processual e organização de bases de conhecimento, com foco em segurança, autonomia tecnológica e eficiência.

TJ-SP analisará pedido para excluir filiação materna do registro civil

O TJ-SP deverá analisar recurso de uma mulher que busca excluir a filiação materna de sua certidão de nascimento após relatar ter sido vítima de graves abusos durante a infância. Embora a sentença de primeiro grau tenha reconhecido os traumas e autorizado a retirada dos sobrenomes maternos, o pedido de desconstituição da maternidade foi negado sob o fundamento de que a filiação biológica deve permanecer registrada.

TJ mantém condenação de Marcelo Crivella por uso não autorizado de imagem em campanha eleitoral

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação do senador Marcelo Crivella ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais a um estudante que teve sua imagem e seu depoimento utilizados, sem autorização, em propaganda eleitoral. A Corte rejeitou novos recursos da defesa e preservou a sentença que também envolve o Partido Republicanos.

Licenciamento de novos data centers no Ceará reacende debate sobre impactos ambientais e consumo de energia

Dois novos projetos de data centers em Caucaia (CE) estão em fase de licenciamento ambiental e poderão consumir energia equivalente à utilizada por 4,5 milhões de residências, volume superior ao total de domicílios do estado. A dimensão dos empreendimentos intensificou o debate sobre os impactos ambientais, o consumo de água, o licenciamento simplificado e a necessidade de consulta às comunidades potencialmente afetadas.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo