
O Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado pelo Governo Federal em maio deste ano, apresentou os primeiros resultados após 30 dias de execução. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), tem como principal estratégia a integração entre forças federais e estaduais para fortalecer o combate às organizações criminosas em todo o país.
Segundo dados divulgados pelo ministério, o programa mobilizou 9.964 profissionais de segurança pública em 11 operações integradas realizadas em diferentes estados. As ações resultaram em 7.961 prisões, além da apreensão de 82,5 toneladas de drogas, 312 armas de fogo, 44 armas artesanais, 20.686 munições e 2,5 quilos de explosivos.
O impacto financeiro sobre as organizações criminosas foi estimado em R$ 1,6 bilhão. As ações concentram-se no combate ao tráfico de drogas e armas, na descapitalização de facções criminosas, no fortalecimento do sistema prisional e no aprimoramento das atividades de inteligência e investigação criminal.
De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a cooperação entre os entes federativos é indispensável para o sucesso da iniciativa. Segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado exige atuação coordenada, compartilhamento de informações e valorização dos profissionais que atuam diariamente na linha de frente da segurança pública.
Integração com forças estaduais
Como parte da estratégia de articulação nacional, o MJSP ampliou o diálogo com as polícias estaduais. O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das Polícias Militares (CNCG) passou a integrar uma agenda permanente de reuniões com o ministério para discutir ações operacionais e demandas institucionais.
A aproximação também alcançou as polícias civis. Recentemente, foi criado o Conselho Nacional da Polícia Civil, com a finalidade de fortalecer a cooperação entre os estados em áreas como investigação criminal, inteligência policial e combate às organizações criminosas.
A proposta é alinhar as políticas públicas federais às necessidades enfrentadas pelas forças de segurança locais, permitindo a execução coordenada das ações em todo o território nacional.
Atuação integrada das forças federais
No âmbito federal, a coordenação entre os órgãos vinculados ao Ministério da Justiça também foi intensificada. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal passaram a atuar de forma mais integrada no contexto do programa.
Em reunião realizada na última semana, os dirigentes das três instituições reforçaram o compromisso com a execução conjunta das estratégias de combate ao crime organizado. A medida faz parte de uma agenda permanente de coordenação institucional voltada ao aperfeiçoamento das operações e ao compartilhamento de informações.
Enquanto a Polícia Federal mantém investigações contra organizações criminosas em diversas regiões do país, a Polícia Rodoviária Federal concentra esforços no combate ao transporte de drogas, armas e outros produtos ilícitos. Já a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) atua no fortalecimento do controle das unidades prisionais e na contenção da influência de lideranças criminosas dentro dos presídios.
Capacitação e investimentos
Além das operações de repressão ao crime, o programa prevê investimentos em capacitação profissional e modernização da estrutura de segurança pública.
Nos primeiros 30 dias, a Diretoria do Sistema Único de Segurança Pública promoveu cursos especializados nas áreas de comparação balística, papiloscopia e cadeia de custódia, capacitando 131 profissionais de diferentes estados. As ações receberam investimento superior a R$ 244 mil.
Também foram destinados recursos para a aquisição de equipamentos periciais, incluindo sete freezers científicos para unidades de Minas Gerais e Espírito Santo, com investimento de aproximadamente R$ 117 mil.
Outro destaque foi o reconhecimento do Ministério da Justiça como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), medida que permitirá ampliar pesquisas, desenvolver novas tecnologias e fortalecer a produção de conhecimento aplicado à segurança pública.
Previsão de R$ 11,1 bilhões
O Programa Brasil Contra o Crime Organizado conta com previsão de investimentos de R$ 11,1 bilhões e reúne iniciativas voltadas à modernização tecnológica, fortalecimento das forças policiais, ampliação da inteligência, aperfeiçoamento do sistema prisional e integração entre União e estados.
A expectativa do governo é que o fortalecimento da cooperação institucional e os investimentos em infraestrutura e capacitação ampliem a capacidade do Estado brasileiro de enfrentar organizações criminosas de forma mais eficiente e coordenada.
(Com informações da Agência Gov/EBC)
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