Morre aos 90 anos a jurista e professora Thereza Celina Diniz de Arruda Alvim, referência do Direito brasileiro

Data:

luto
Créditos: Oatawa | iStock

Faleceu, aos 90 anos, a professora, advogada e jurista Thereza Celina Diniz de Arruda Alvim, uma das mais respeitadas estudiosas do Direito Processual Civil e do Direito Civil no Brasil. Reconhecida por sua sólida produção acadêmica e por sua atuação na formação de diversas gerações de juristas, ela deixa um legado de pioneirismo, dedicação ao ensino e contribuição para o desenvolvimento da ciência jurídica.

Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na turma de 1959, Thereza Alvim também obteve os títulos de mestre e doutora pela mesma instituição. Em 1960, iniciou sua carreira na advocacia e, ao lado do professor José Manoel de Arruda Alvim Netto, fundou o escritório Arruda Alvim & Thereza Alvim, em São Paulo.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, participou da criação e coordenação dos programas de mestrado e doutorado da PUC-SP, onde lecionou por décadas, além de integrar a fundação da Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo (FADISP).

Atuação acadêmica e institucional

Além da advocacia e do magistério, Thereza Alvim exerceu importantes funções na administração pública. Foi procuradora do Estado de São Paulo, assessora jurídica da Reitoria da PUC-SP, consultora jurídica da Universidade de São Paulo (USP) e também atuou como consultora da Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo.

Sua produção intelectual abrangeu diversas áreas do Direito, com destaque para o Direito Processual Civil, Direito do Consumidor, Direito Administrativo e Direito Constitucional. Entre suas obras mais conhecidas estão Questões Prévias e os Limites Objetivos da Coisa Julgada e O Direito Processual de Estar em Juízo, referências para estudiosos e operadores do Direito.

Reconhecimento por sua contribuição ao Direito

Em 2017, recebeu o Colar do Mérito Judiciário, maior honraria concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em reconhecimento à sua contribuição para a Justiça e para a produção jurídica nacional.

Poucos meses antes de seu falecimento, foi homenageada durante o XI Congresso de Direito Processual Civil, promovido pela PUC-SP, pelo Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP) e pelo projeto Mulheres no Processo.

Na ocasião, autoridades do meio jurídico destacaram sua importância para a evolução da doutrina processual brasileira e para a ampliação da participação feminina na carreira acadêmica e jurídica.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, ressaltou sua dedicação ao ensino e sua capacidade de formar gerações de juristas, enquanto a ministra Nancy Andrighi destacou seu pioneirismo e a contribuição para a consolidação dos estudos sobre Direito do Consumidor no Brasil.

Também o ministro Ribeiro Dantas enfatizou a relevância de sua obra para o desenvolvimento da doutrina processual, especialmente no estudo das questões processuais e da coisa julgada, temas que influenciaram significativamente a literatura jurídica nacional.

Legado

Thereza Celina Diniz de Arruda Alvim deixa os filhos Eduardo Arruda Alvim e Teresa Arruda Alvim, além de quatro netos e uma bisneta.

Sua trajetória permanece como referência para a advocacia, a magistratura, a academia e para todos os profissionais do Direito, consolidando seu nome entre as principais juristas da história contemporânea brasileira.

(Com informações do Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TJ-SP mantém condenação de professora por tortura de crianças em escola

O TJ-SP manteve a condenação de uma professora por tortura de 13 crianças de dois e três anos em uma escola de Itaquera. O colegiado reconheceu a validade das imagens de segurança e rejeitou as alegações da defesa sobre possível manipulação das gravações e sobrecarga de trabalho. A pena foi redimensionada para cinco anos, cinco meses e 10 dias de reclusão, em regime semiaberto, após a redução da fração utilizada para elevar a pena-base.

Ministro do STJ homologa acordo e mantém condenação por improbidade no TJ-PE

O ministro Marco Aurélio Bellizze, do STJ, homologou acordo de não persecução cível firmado entre o MPF e um ex-funcionário da Caixa condenado por improbidade administrativa. O processo envolve fraudes em contratos habitacionais e desvio de valores. O réu havia sido condenado à perda de funções públicas e ao pagamento de multa, mas o TRF-5 afastou a perda do cargo que ocupava posteriormente no TJ-PE.

Pai de Henry Borel aciona CNJ e pede investigação sobre conduta de juíza durante julgamento

Leniel Borel, pai de Henry Borel, acionou o CNJ contra a juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pela condução do julgamento do caso, e pediu a apuração de sua conduta com base em uma carta anônima. O relato atribui à magistrada declarações sobre Monique Medeiros durante uma reunião administrativa com jurados. A juíza não comentou o caso, e o TJRJ informou que não se manifesta sobre cartas apócrifas.

TJ-SP mantém indenização a paciente submetida a cirurgia mamária desnecessária

O TJ-SP manteve a condenação do Município de São Paulo ao pagamento de R$ 20 mil a uma paciente submetida à retirada de um nódulo mamário que posteriormente foi identificado como tecido adiposo. O colegiado considerou configurada falha no atendimento médico e reconheceu o nexo de causalidade entre a conduta dos profissionais vinculados à rede pública e os danos suportados pela paciente.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo