Justiça de SP exclui influenciadores de ação por perdas em apostas online e mantém processo contra empresa de bets

Data:

TJ confirma condenação de ex-delegado por facilitar prostituição e jogos de azar
Créditos: welcomia/Shutterstock.com

A Justiça de São Paulo excluiu os influenciadores Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia de uma ação de indenização proposta por um apostador que afirma ter desenvolvido transtorno do jogo compulsivo após ser impactado por conteúdos publicitários relacionados a plataformas de apostas esportivas.

A decisão foi proferida pelo juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra, da 5ª Vara Cível da Comarca de Campinas (SP), que reconheceu, de ofício, a ilegitimidade passiva dos influenciadores e de duas empresas intermediadoras de pagamento incluídas na demanda.

Com esse entendimento, o magistrado concluiu que essas partes não possuem legitimidade para responder ao processo nos moldes em que ele foi ajuizado, sem analisar, neste momento, o mérito das alegações apresentadas pelo autor.

Juiz afasta influenciadores da ação

Na fundamentação da decisão, o magistrado observou que as empresas responsáveis pela intermediação dos pagamentos apenas prestaram serviços financeiros, sem manter relação contratual direta com o apostador.

Em relação aos influenciadores, o juiz entendeu que a atuação deles limitou-se à divulgação de conteúdos em redes sociais, sem participação direta na relação jurídica estabelecida entre o consumidor e a plataforma de apostas.

Por essa razão, a petição inicial foi indeferida em relação a esses réus, e o processo foi extinto sem resolução do mérito apenas quanto a eles.

A decisão não analisa se houve ou não responsabilidade civil dos influenciadores nem examina a veracidade das alegações do autor, restringindo-se à análise dos pressupostos processuais da ação.

Processo continua contra empresa

Apesar da exclusão dos influenciadores, a ação não foi encerrada.

O processo prosseguirá em relação a uma das empresas rés apontadas na petição inicial, que permanecerá sujeita à análise judicial sobre eventual responsabilidade pelos fatos narrados.

A decisão também poderá ser objeto de recurso perante o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que poderá reavaliar o entendimento sobre a legitimidade dos influenciadores para integrarem a demanda.

Gratuidade da Justiça foi negada

Além de analisar a legitimidade das partes, o magistrado rejeitou o pedido de concessão da gratuidade da Justiça formulado pelo autor.

Segundo a decisão, embora a assistência judiciária gratuita seja assegurada constitucionalmente às pessoas sem condições de arcar com as despesas processuais, os elementos constantes dos autos demonstram situação financeira incompatível com a alegada hipossuficiência.

O juiz destacou que o próprio autor informou ter movimentado valores expressivos em plataformas de apostas e alegado perdas superiores a R$ 100 mil, circunstâncias que, na avaliação do magistrado, afastam os requisitos legais para a concessão do benefício.

Diante disso, foi determinado que o autor recolha as custas processuais no prazo de 15 dias, sob pena de cancelamento da distribuição da ação.

Alegações do autor

Na petição inicial, o apostador afirma que passou a utilizar a plataforma de apostas após assistir a publicações feitas por influenciadores digitais em redes sociais.

Segundo o relato, entre maio e junho de 2023 foram realizados depósitos que totalizaram aproximadamente R$ 50,9 mil, com movimentações financeiras que se estenderam até fevereiro de 2026. O autor sustenta ter acumulado perdas superiores a R$ 100 mil e afirma ter desenvolvido transtorno do jogo compulsivo, buscando indenização pelos prejuízos que atribui à divulgação da plataforma.

O mérito da ação em relação à empresa que permanece no processo ainda será apreciado pela Justiça.

(Com informações da CNN Brasil por Manuella Dal Mas)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Projeto de Lei propõe criminalizar ‘injeção de prompt’ para manipular processos judiciais com IA

O Projeto de Lei 2543/26 propõe transformar em crime a utilização de técnicas de “injeção de prompt” para manipular sistemas de inteligência artificial empregados em processos judiciais e administrativos com o objetivo de obter vantagem indevida, causar danos ou influenciar resultados automatizados. A proposta prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa, com possibilidade de aumento em situações específicas. O texto também estabelece auditorias de processos e medidas de segurança para prevenir manipulações de sistemas de IA.

Brasil inicia processo para aplicar Lei da Reciprocidade contra tarifas dos EUA

O governo brasileiro iniciou o processo de aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A Camex avaliará se as medidas norte-americanas se enquadram na legislação, enquanto o Itamaraty iniciou consultas diplomáticas com Washington. Apesar da possibilidade de adoção de contramedidas comerciais, o governo afirma que pretende priorizar a negociação para tentar solucionar a disputa.

Uso excessivo de IA pode gerar “workslop” e comprometer produtividade, aponta estudo

O uso acelerado da inteligência artificial nas empresas deu origem ao fenômeno conhecido como workslop, que descreve conteúdos gerados por IA com aparência profissional, mas que apresentam informações genéricas, erros ou falta de contexto. Segundo levantamento da BetterUp Labs, 40% dos trabalhadores afirmam já ter recebido esse tipo de material. O problema pode gerar retrabalho, perda de produtividade, desgaste entre equipes e riscos relacionados à segurança da informação. Especialistas defendem o uso da IA como ferramenta de apoio, acompanhado de pensamento crítico, revisão humana, treinamento e políticas de governança.

Falha em turbina destrói janela e deixa passageiro parcialmente para fora de avião

Um passageiro ficou parcialmente para fora de um avião durante um voo entre a Grécia e a Alemanha após uma pá da turbina do motor direito se romper e fragmentos atingirem uma janela da cabine. O homem, de 61 anos, teve a cabeça e o ombro sugados para fora da aeronave e foi segurado pelas pernas pela esposa e por outros passageiros. A tripulação declarou emergência e conseguiu pousar em segurança. O NTSB participa da investigação, que ainda busca determinar a causa da falha no motor.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo