
A TV Globo retirou do ar uma campanha publicitária criada para divulgar seu novo pacote de filmes após a repercussão negativa nas redes sociais e questionamentos relacionados ao uso de inteligência artificial. O material utilizava recursos de IA para inserir apresentadores e personagens da emissora em situações inspiradas em produções cinematográficas de Hollywood.
Na campanha, o apresentador Marcos Mion aparecia caracterizado como Tom Cruise, enquanto Luciano Huck era transformado no personagem Hulk. A atriz Nathalia Dill, por sua vez, surgia como Francesca, personagem da novela Quem Ama Cuida, sendo capturada por um integrante dos Caça-Fantasmas. O vídeo também reunia personagens conhecidos do cinema, como Batman, Doutor Estranho e Mulher-Maravilha, em cenas ambientadas nos Estúdios Globo.
A utilização de imagens e referências relacionadas a personagens, produções e artistas de Hollywood gerou críticas nas redes sociais. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a Globo também teria recebido uma notificação extrajudicial de um dos estúdios envolvidos.
O questionamento estaria relacionado principalmente à utilização de inteligência artificial para recriar e modificar imagens associadas a produções cinematográficas e artistas sem autorização prévia. A controvérsia envolve, portanto, não apenas o uso da tecnologia, mas também os direitos incidentes sobre personagens, obras audiovisuais, imagens e interpretações artísticas.
Diante da repercussão, a emissora decidiu retirar a campanha do ar. A situação reacende o debate sobre os limites do emprego de inteligência artificial na publicidade e sobre a necessidade de autorização para utilização ou transformação de elementos protegidos por direitos autorais e direitos da personalidade.
A controvérsia também evidencia os desafios jurídicos decorrentes do avanço das ferramentas de inteligência artificial capazes de produzir imagens e vídeos com elevado grau de realismo. A utilização comercial desse tipo de conteúdo pode envolver diferentes questões jurídicas, especialmente quando reproduz ou modifica personagens, obras protegidas ou a aparência de pessoas reais.
A informação divulgada inicialmente sobre uma eventual notificação judicial também foi posteriormente corrigida: o procedimento recebido pela TV Globo teria sido extrajudicial, e não uma medida judicial.
(Com informações de Omelete por Felipe Rocha)
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