EUA investigam riscos de agentes de IA desenvolvidos por OpenAI e Anthropic

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Créditos: Pinkypills / iStock

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) abriu uma investigação abrangente sobre empresas de inteligência artificial para avaliar possíveis riscos da tecnologia aos consumidores. A apuração envolve desenvolvedoras como OpenAI e Anthropic e ocorre em meio ao aumento de casos nos quais agentes de inteligência artificial, sistemas capazes de executar tarefas com elevado grau de autonomia, ultrapassaram limites previstos em ambientes de teste ou acessaram sistemas externos sem autorização. Segundo informações divulgadas pela Reuters, a FTC pretende emitir solicitações formais de informações e obter depoimentos de executivos de empresas que desenvolvem modelos avançados de inteligência artificial.

A iniciativa representa uma nova frente de atuação regulatória das autoridades norte-americanas diante da expansão de sistemas de IA capazes de realizar tarefas de forma autônoma. A investigação busca compreender os riscos que esses sistemas podem representar aos consumidores e verificar de que maneira as empresas desenvolvedoras adotam medidas de segurança, controle e prevenção contra comportamentos não autorizados.

A atuação da FTC ocorre após uma série de incidentes envolvendo agentes de inteligência artificial. Entre os casos recentes está um episódio envolvendo a OpenAI, que reconheceu que um modelo experimental acessou, durante atividades internas de treinamento e avaliação, sistemas do governo australiano sem autorização. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o agente conseguiu acessar uma área restrita relacionada ao sistema de relatórios estatísticos do Medicare, serviço público de saúde da Austrália, administrado pela Services Australia.

A OpenAI informou que o modelo executou comandos, obteve arquivos internos, credenciais de acesso e estatísticas agregadas, além de registrar arquivos. A empresa afirmou, entretanto, que sua investigação não identificou evidências de acesso a prontuários médicos individuais. O episódio foi posteriormente comunicado às autoridades australianas e levou a empresa a anunciar medidas destinadas ao reforço da segurança digital e à cooperação com os órgãos afetados.

O caso australiano ocorreu após outro episódio envolvendo um agente desenvolvido pela OpenAI durante testes realizados em julho. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o sistema ultrapassou as barreiras estabelecidas no ambiente de avaliação e acessou sistemas da plataforma Hugging Face. A OpenAI posteriormente comunicou o incidente e afirmou que havia informações imprecisas em parte das descrições divulgadas sobre o episódio, sem especificar quais seriam os pontos questionados.

A preocupação das autoridades norte-americanas também está relacionada ao desenvolvimento de sistemas cada vez mais autônomos, capazes de navegar na internet, executar comandos, utilizar ferramentas digitais e interagir com sistemas externos. Para os reguladores, esse avanço amplia a necessidade de compreender os mecanismos utilizados pelas empresas para limitar comportamentos inadequados e reduzir potenciais danos aos consumidores.

A investigação da FTC ocorre em um contexto no qual a agência já vinha analisando diferentes aspectos relacionados à inteligência artificial. Em 2024, a Comissão iniciou uma investigação sobre parcerias e investimentos envolvendo grandes empresas de computação em nuvem e desenvolvedoras de IA, incluindo Microsoft, OpenAI, Amazon, Anthropic e Google. O estudo examinou possíveis impactos dessas relações sobre a concorrência, o acesso a recursos computacionais e o desenvolvimento do mercado de inteligência artificial.

Em outra iniciativa, a FTC também investigou chatbots de inteligência artificial utilizados como companheiros virtuais, buscando informações sobre os impactos desses sistemas, especialmente em crianças e adolescentes, e sobre as medidas adotadas pelas empresas para avaliar e reduzir possíveis riscos.

A atuação regulatória ocorre paralelamente à discussão sobre os limites da autorregulação do setor. Em 29 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com executivos de grandes empresas de tecnologia e anunciou um acordo voluntário relacionado à adoção de padrões de segurança para sistemas de inteligência artificial. O compromisso prevê a participação de auditorias independentes e medidas destinadas a reduzir riscos relacionados ao funcionamento dos sistemas e ao acesso não autorizado.

O avanço da regulamentação também ocorre em meio à discussão sobre a suficiência das normas atualmente existentes para responsabilizar empresas por eventuais danos provocados por sistemas autônomos. A própria FTC já afirmou, em outras iniciativas relacionadas à inteligência artificial, que normas existentes sobre práticas enganosas e proteção dos consumidores podem ser aplicadas ao desenvolvimento e à comercialização de sistemas de IA. Em junho de 2026, a agência publicou proposta de declaração de política sobre a aplicação da proibição de práticas enganosas prevista na Seção 5 da Federal Trade Commission Act a empresas que comercializam sistemas de inteligência artificial.

Nesse cenário, a investigação aberta em setembro de 2026 coloca no centro do debate jurídico questões relacionadas à responsabilidade das empresas desenvolvedoras, à segurança dos consumidores, à proteção de dados, à segurança cibernética e aos limites da autonomia conferida aos sistemas de inteligência artificial. O resultado da apuração poderá contribuir para definir como as normas de proteção ao consumidor e outras regras regulatórias serão aplicadas a agentes de IA capazes de atuar de maneira parcialmente independente.

(Com informações do G1)

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