Balanço Eleitoral

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Balanço Eleitoral | JuristasAo fim e ao cabo de mais um processo eleitoral, cujo principal objetivo é a escolha de um candidato à Presidência da República, afora outros cargos do Poder Legislativo já definidos em primeiro turno, o que se espera é, ao menos, um balanço de tudo o que ouvimos e assistimos: menos propaganda eleitoral e mais ataques desenfreados de todos os lados, em um nível tão baixo como jamais se imaginou na história deste País, cansado de promessas de um futuro sem igual e de que alcançará sua democracia pelas urnas.

Nada disso é verdadeiro se não houver justa distribuição de riqueza e de renda. Todos os países hoje em conflito têm um dado em comum: a economia instável e os preços em alta por causa da inflação sem controle. Assim, é uma panaceia dizer que teremos democracia se a maioria da população vive de benefícios sociais. Aliás, toda essa clientela do Estado sequer poderia ou deveria votar, já que, em tese, nada mais haverá do que uma mera retribuição do valor recebido mensalmente.

Mas não é só com a introdução de plataformas digitais e ataques sistemáticos. Os candidatos à Presidência se perderam em esculhambar a imagem um do outro e nada falar para a sociedade, nem dizer o motivo pelo qual vieram e querem continuar no poder.

Simplesmente, o modelo econômico brasileiro faliu. É a mais pura realidade: 80 milhões de brasileiros no cadastro negativo, quase 10 milhões de empresas inadimplentes e, a todo momento, uma notícia sobre corrupção, desvio de verba pública e o caso Master, que nada mais representa do que falhas sistêmicas do órgão regulador e dos aspectos inerentes à vigilância pontual do xerife.

Não há qualquer viés político na crítica, já que se luta pela democracia, e ela somente é palatável quando houver igualdade, liberdade de expressão e a menor presença do Estado, aliás, o maior responsável pelo estado calamitoso de hoje, pois sequer cumpre seu papel no que diz respeito ao enorme déficit público, na casa dos 10 trilhões de reais.

O Brasil sem igual, desigual e totalmente entregue nas mãos de partidos políticos irresponsáveis, de grandes corporações e de interesses escusos. Enquanto isso, discute-se o futuro da Nação pós-eleição.

Temos um balanço eleitoral altamente negativo. Se a Justiça fez seu papel, o mesmo não pode ser dito em relação aos candidatos, que usaram e abusaram de enlamear o pleito, trazendo acusações fundadas e infundadas contra o rival. O primeiro debate havido foi o retrato mais fiel do que será o nosso amanhã de trevas e poucas luzes.

O mundo passa pelo mesmo conflito, e as guerras sem cessar sucedem-se com a voracidade dos fabricantes de armamentos e dos interessados em mortes em escala. Parece ser irreversível este final trágico, no qual os organismos internacionais pecam e não têm o prestígio das grandes nações.

Em silêncio, a China cresce e abastece nosso mercado interno com milhares de produtos e investimentos de bilhões, principalmente no setor automobilístico. Mas fica a dúvida se haverá poder de compra e se o material fabricado é de boa qualidade.

Foram gastos bilhões nas eleições de 2026, quer na esfera do Legislativo, quer na do Executivo, o que é o foco principal da cidadania. Temos dois candidatos opostos: um liberal e outro em prol da mão visível do Estado, além do custo da máquina na reinserção e retroalimentação do sistema, no favorecimento das populações mais carentes, a exemplo das regiões Nordeste e Norte do País, nas quais o saudoso Celso Furtado diagnosticava suas principais causas de ausência de progresso e crescimento.

Em boa síntese, o Brasil precisa ser passado a limpo em todos os sentidos, com reformas plurais no coração da República, redução dos cargos comissionados, das emendas ocultas do Parlamento e de um sistema financeiro perverso, que possibilita a atuação de ladravazes de plantão, os quais, iguais aos cupins, vão comendo o alimento moral da Nação e pervertendo sua economia com diretrizes de compadrio e de um capitalismo de espertos.

Não basta apenas uma eleição de quatro em quatro anos para se afirmar o compromisso com a democracia, mas sim uma governabilidade diária que tenha por meta um País mais justo e de governantes honestos, com a intenção de fazer o melhor.

Sem uma reforma adequada, o modelo escasseia numa verdadeira fadiga material, e o resultado somente pode ser o embate vazio e destoante de candidatos apenas voltados para seus interesses pessoais e familiares, além de bases partidárias empenhadas em perpetuar-se no poder.

No propósito final do balanço eleitoral, lamenta-se a ideologia franciscana do debate e pede-se uma mudança fundamental para que o Brasil, independentemente do que vencer, se projete no cenário internacional com responsabilidade, crescimento, desenvolvimento e um olhar para a educação e, essencialmente, para a saúde, com renda melhor distribuída, fomentos de um novo amanhã.

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Wilson Roberto
Wilson Robertohttp://www.wilsonroberto.com.br
Empreendedor Jurídico, bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Paraíba, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, professor, palestrante, empresário, Bacharel em Direito pelo Unipê, especialista e mestre em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Foi doutorando em Direito Empresarial pela mesma Universidade. Autor de livros e artigos.

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