
Autoridades dos Estados Unidos desarticularam um esquema de fraude matrimonial utilizado para facilitar a obtenção de green cards por imigrantes em situação migratória irregular. A investigação, conduzida em Massachusetts com a colaboração de dois brasileiros, aponta que a rede organizava casamentos fictícios com cidadãos americanos mediante pagamentos que chegavam a US$ 40 mil, aproximadamente R$ 200 mil.
Na quarta-feira, 21 de outubro, a Procuradoria formalizou acusações contra seis cidadãos americanos por fraude matrimonial e conspiração para abrigar estrangeiros em situação migratória irregular. O green card concede ao estrangeiro o direito de residência permanente nos Estados Unidos.
Segundo as investigações, o esquema funcionava havia cerca de 12 anos e era liderado por Jennifer Gonzalez, de 43 anos. Ela é acusada de organizar casamentos de fachada e de utilizar os valores recebidos para financiar a aquisição de imóveis na República Dominicana.
A própria Gonzalez teria participado da fraude ao se casar, em 2019, com um brasileiro que vivia nos Estados Unidos havia aproximadamente dez anos sem visto válido. Os investigadores apontaram indícios de que a união não era verdadeira.
Entre os elementos reunidos pelas autoridades estão solicitações de benefícios federais apresentadas por Gonzalez, nas quais ela não indicava o brasileiro como marido. Conversas monitoradas também teriam revelado que ela mantinha outro casamento, considerado verdadeiro, havia mais de 20 anos.
A investigação contou com a colaboração de dois brasileiros. Um deles havia participado do esquema e passou a auxiliar as autoridades na obtenção de provas. De acordo com o relato, ele entrou nos Estados Unidos com visto de turista em 2019 e permaneceu no país após o vencimento da autorização.
Em 2024, após ser indicado por um motorista de aplicativo, ele procurou Gonzalez para organizar um casamento fictício. Ela o encaminhou a Erica Daniels, apontada como integrante da rede. Além do pagamento de aproximadamente US$ 40 mil pelo casamento, o brasileiro teria sido obrigado a pagar uma quantia mensal de US$ 500 à mulher durante o período em que permanecessem formalmente casados. O acordo teria sido registrado em contrato assinado pelas partes.
Para dar aparência de autenticidade às uniões, os envolvidos realizavam cerimônias e produziam fotografias dos casais com roupas formais em prédios públicos, como a Prefeitura de Fall River. Pessoas também eram convocadas para representar amigos e familiares, criando registros que poderiam ser apresentados às autoridades migratórias como prova de um relacionamento legítimo.
As investigações também apontaram que Daniels havia se casado anteriormente com outro brasileiro e se separado dele pouco antes da união com o informante. A partir da colaboração desse brasileiro, outro imigrante foi apresentado a Gonzalez, em uma negociação acompanhada pelas autoridades e registrada em gravações. Segundo os investigadores, o esquema também envolvia Chreise Alejandro, de 39 anos, que teria se casado com outros dois brasileiros, em 2018 e 2023, em uniões consideradas fraudulentas.
A fraude matrimonial é utilizada por redes criminosas como meio de contornar as exigências migratórias e tentar evitar consequências decorrentes da permanência irregular no país. Massachusetts aparece com frequência em investigações desse tipo devido à presença expressiva da comunidade brasileira no estado.
O caso reforça a atuação das autoridades americanas no combate às fraudes migratórias e evidencia os riscos legais associados à participação em casamentos simulados para obter benefícios de imigração.
(Com informações da Folha de São Paulo por Mayara Paixão)
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