Clientes de supermercado difamados em vídeo postado na internet serão indenizados

Data:

cliente
Créditos: Gyn9038 | iStock

A dona de um supermercado no norte de Santa Catarina foi condenada por danos morais por difamar três clientes que fizeram uma compra em sua loja. A decisão foi tomada pelo juiz Tiago Loureiro Andrade da Vara Única de Papanduva.

Os clientes compraram produtos na loja em julho de 2016, pagaram com cheque e receberam troco em dinheiro. Poucos dias depois, um vídeo circulou na internet, mostrando os clientes sendo difamados e chamados de “ladrões” e “vadios” pelo circuito interno de câmeras da loja. Na época, os clientes eram menores de idade.

Os clientes registraram um boletim de ocorrência e alegaram que as imagens foram comentadas pelos colegas de escola e professores, e muitas pessoas pararam de cumprimentá-los. Uma das vítimas até perdeu o emprego.

A proprietária do supermercado alegou preliminarmente que não era responsável pelos fatos e, no mérito, argumentou que não havia prova de que seus funcionários haviam gravado ou difamado os clientes. Ela também afirmou que os clientes criaram a situação ao usar um cheque clonado e falsificado, que foi devolvido pelo banco. Além disso, ela pediu uma indenização por danos materiais no valor de R$ 792.

O juiz rejeitou a alegação de que a proprietária não era responsável pelos danos e afirmou que, segundo o princípio da responsabilidade objetiva, a proprietária era responsável pela reparação dos danos causados ​​por seus funcionários, independentemente de culpa. Em relação à alegação de que os clientes haviam cometido fraude bancária, o juiz afirmou que um dos cheques apresentados pelos clientes havia sido compensado pelo supermercado.

O juiz concluiu que mesmo que os clientes tivessem cometido um crime, a ação apropriada seria a apresentação de uma denúncia às autoridades, e não a gravação e divulgação pública do vídeo. Ele afirmou que o simples fato de o vídeo ter sido gravado e de ter violado a honra dos clientes era suficiente para caracterizar a violação de seus direitos pessoais. Como resultado, a proprietária foi condenada a pagar R$ 5.000,00 a cada cliente como indenização por danos morais. A decisão é passível de recurso (Autos nº 5000149-57.2019.8.24.0047).

supermercado
Créditos: Kwangmoozaa / iStock
Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo