Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

Data:

jogo
Créditos: Jpkirakun | iStock

A Copa do Mundo provocou um crescimento expressivo na movimentação das plataformas de apostas esportivas no Brasil, com aumento no número de apostadores, das transações financeiras e do valor médio dos depósitos. Apesar da expansão, o desempenho do setor ficou abaixo das expectativas iniciais, influenciado pela eliminação precoce da seleção brasileira e pelo aumento das críticas à publicidade das chamadas bets durante as transmissões do torneio.

Segundo Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, instituição especializada em meios de pagamento para o mercado de apostas, o principal avanço ocorreu no volume de operações realizadas durante a competição. De acordo com ele, houve um crescimento significativo na quantidade de depósitos efetuados, embora o valor médio investido por apostador tenha apresentado elevação mais moderada.

Dados preliminares da plataforma financeira Klavi indicam que o número de apostas realizadas durante a Copa cresceu quase 300% em comparação com o mês de maio, período anterior ao início da competição. O levantamento também aponta que o valor médio dos depósitos passou de R$ 188 para R$ 245,05 durante o torneio, chegando a superar R$ 400 nas vésperas das partidas da seleção brasileira. Na final entre Espanha e Argentina, entretanto, a média caiu para R$ 172.

De acordo com informações do Ministério da Fazenda citadas pelo setor, cerca de 60% dos apostadores realizam depósitos inferiores a R$ 100, enquanto a maior parcela dos valores movimentados se concentra em um grupo reduzido de usuários que realizam apostas de maior valor.

Paralelamente ao crescimento do mercado, aumentou a pressão por uma regulamentação mais rigorosa da publicidade das casas de apostas. A repercussão negativa de campanhas exibidas durante as transmissões da Copa, especialmente em plataformas digitais, motivou a atuação do governo federal, de órgãos de defesa do consumidor e de administrações estaduais e municipais.

O Ministério da Fazenda editou novas portarias reforçando as regras aplicáveis à publicidade das empresas autorizadas a operar no país. Desde 17 de julho, todas as peças publicitárias relacionadas às apostas esportivas devem conter advertências obrigatórias sobre os riscos da atividade, incluindo mensagens como “apostar pode causar dependência”, “apostar faz você perder dinheiro” e “aposta não é investimento”.

As empresas do setor e entidades representativas defendem que a restrição excessiva à publicidade pode favorecer operadores clandestinos, reduzindo a visibilidade das plataformas regularmente licenciadas e fiscalizadas pelo poder público. Por outro lado, especialistas em proteção ao consumidor e direitos digitais sustentam que o aumento da exposição das apostas exige mecanismos mais rigorosos de controle para reduzir riscos relacionados ao vício, ao superendividamento e à publicidade direcionada a públicos vulneráveis.

A repercussão das transmissões da Copa também levou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) a instaurar procedimentos para apurar a regularidade de campanhas publicitárias veiculadas durante o evento. Entre os casos analisados estão anúncios exibidos em transmissões esportivas de grande audiência nas plataformas digitais.

Além das medidas administrativas, cresce a mobilização de organizações da sociedade civil e do Ministério Público em defesa de mudanças no atual marco regulatório das apostas. Entre as propostas discutidas estão a proibição do impulsionamento de publicidade em redes sociais, restrições ao patrocínio de atletas, clubes e eventos esportivos e regras mais rigorosas para a atuação de influenciadores digitais na divulgação das plataformas.

O debate sobre a regulamentação das apostas esportivas tende a se intensificar nos próximos meses, diante do crescimento do mercado e da busca por um equilíbrio entre a exploração econômica da atividade, a proteção dos consumidores e a prevenção de danos sociais.

(Com informações da Folha de São Paulo por Pedro S. Teixeira)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo