
A Disney entrou na disputa pelos ativos da Character.ai, startup de inteligência artificial conhecida por sua plataforma de interação com personagens virtuais. Uma afiliada do grupo apresentou uma oferta de US$ 20 milhões por um pacote que inclui uma licença não exclusiva e permanente de parte da propriedade intelectual da empresa, determinados direitos de ação e serviços de apoio à transição.
A proposta, contudo, não representa a aquisição da Character.ai pela Disney. A negociação ocorre no âmbito de um processo judicial e segue o modelo conhecido como stalking horse, no qual um comprador apresenta uma oferta inicial que serve de referência para a disputa. Outras propostas poderão ser apresentadas, desde que atendam às condições estabelecidas no procedimento.
A Disney Worldwide Services foi indicada para atuar como proponente inicial. O acordo prevê o licenciamento de parte da propriedade intelectual da startup, sem necessariamente transferir sua titularidade ou conceder exclusividade sobre os ativos abrangidos. Os detalhes completos dos direitos incluídos na proposta não foram divulgados.
Além disso, a oferta contempla serviços de apoio à transição, que deverão ser prestados por um período limitado. A medida busca contribuir para a continuidade operacional da plataforma durante o processo de venda, inclusive com o suporte de ex-funcionários da Character.ai contratados pela Disney.
A negociação ocorre em um contexto de crescente atenção jurídica sobre o uso de inteligência artificial e a proteção da propriedade intelectual. A Disney está entre as empresas de entretenimento que adotaram medidas judiciais contra usos de conteúdos protegidos por direitos autorais em sistemas de IA. Nesse cenário, a aquisição de licenças específicas constitui uma alternativa para estabelecer condições contratuais de utilização de determinados ativos.
Apesar das incertezas, a Character.ai informou que a plataforma continua disponível, assim como as assinaturas pagas, sem alterações nas cobranças durante o andamento do processo. A empresa prevê concluir a venda entre o final de novembro e o início de dezembro, embora o cronograma dependa do resultado das negociações e das decisões judiciais.
O procedimento ocorre sob o regime do Chapter 11, previsto na legislação dos Estados Unidos, que permite a reorganização de empresas em dificuldades financeiras e pode viabilizar a venda de ativos. Esse mecanismo não implica, por si só, o encerramento imediato das atividades.
A Character.ai atribuiu a decisão a desafios jurídicos, regulatórios e operacionais, em meio a questionamentos sobre segurança, privacidade e os efeitos das interações entre usuários e companheiros virtuais de inteligência artificial. A empresa declarou que suas práticas de privacidade e segurança permanecem inalteradas durante o processo e que os usuários podem exportar seus dados ou excluir suas contas.
O futuro da plataforma, entretanto, ainda não está definido. Caso a venda não resulte em uma proposta capaz de sustentar a operação, a empresa informou que o serviço poderá ser encerrado. Assim, a oferta apresentada pela Disney representa uma etapa do processo, mas não garante a continuidade do aplicativo nem sua aquisição integral.
(Com informações da Exame por Tamires Vitorio)
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