Indústria aeronáutica é condenada por expor ausências de empregados em quadros internos

Data:

problemas na aeronave
Créditos: Chalabala / iStock

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou a empresa Latecoere do Brasil Indústria Aeronáutica Ltda., localizada em Jacareí (SP), ao pagamento de R$ 50 mil por assédio moral organizacional. A condenação decorre da prática de expor, em quadros afixados nos setores da fábrica, informações sobre ausências e atrasos dos trabalhadores — inclusive faltas justificadas.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São José dos Campos e região. Segundo a entidade, havia painéis visíveis em cada setor da empresa, onde trabalhavam equipes pequenas, com cerca de sete pessoas. Quando havia ausências no início da jornada, o quadro era pintado de vermelho, independentemente de a falta ser justificada ou não.

O sindicato relatou que a prática gerava constrangimento e desconforto, especialmente entre os empregados que se ausentavam por motivos de saúde. Havia, segundo a entidade, receio de julgamento ou cobrança por parte dos próprios colegas, o que criava um ambiente hostil e prejudicial ao bem-estar.

Empresa alegou uso do quadro como ferramenta de gestão

Em sua defesa, a Latecoere argumentou que os quadros não identificavam individualmente os empregados e não estabeleciam metas ou rankings. A empresa afirmou que a ferramenta era utilizada apenas como um indicador de dados para melhorar a produtividade.

Ministra classificou prática como “gestão por estresse”

No entanto, para a relatora do caso, ministra Maria Helena Mallmann, a prática caracteriza assédio moral organizacional. Segundo ela, a conduta da empresa comprometeu a dignidade, o equilíbrio psíquico e o bem-estar dos trabalhadores.

A ministra afirmou que a empresa adotou uma estratégia conhecida como “gestão por estresse”, criando um ambiente de competitividade forçada, com pressão psicológica implícita. “Trata-se de uma forma de estimular a produtividade sem considerar os custos à saúde mental dos empregados”, destacou.

Mesmo sem a identificação direta dos nomes, a relatora observou que, como os quadros eram expostos em setores com equipes reduzidas, era fácil para todos reconhecerem quem havia faltado.

A indenização de R$ 50 mil deverá ser revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Processo: RR-11480-43.2019.5.15.0138

(Com informações do TST – por Ricardo Reis/CF)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Influenciadora é presa em flagrante após divulgar vídeo agredindo filhote de cachorro

A influenciadora digital Maria Gabriela Cervantes Pereira foi presa em flagrante em Aquidauana (MS), após a Polícia Civil tomar conhecimento de um vídeo em que ela aparece agredindo um filhote de shih-tzu de aproximadamente 40 dias. O caso é investigado como possível crime de maus-tratos contra animal e poderá resultar em responsabilização criminal.

Desaparecimento de adolescente é investigado após suspeita de aliciamento pelo Discord

Uma adolescente de 13 anos desapareceu em Anápolis (GO) após sair de casa durante a madrugada e deixar uma carta para a irmã. Segundo a família, ela teria mantido contato com um homem de 28 anos por meio do Discord, que supostamente teria prometido levá-la para morar no Canadá. A Polícia Civil investiga o caso sob sigilo e busca esclarecer se houve aliciamento ou participação de terceiros no desaparecimento.

Justiça da Paraíba determina abstenção de uso de marca semelhante à “Korpus Life” por academia

A Justiça da Paraíba determinou que a Mota Academia Ltda. deixe de utilizar as expressões “Korpus Life”, “Corpus Life” e “Academia Corpus Life” para identificar seus serviços e estabelecimento. A decisão foi proferida pelo 1º Juizado Especial Cível de Campina Grande, em ação ajuizada pela FPE Condicionamento Físico Ltda. – ME, titular da marca “Korpus Life”, registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Justiça condena desembargador a indenizar guarda municipal  por danos morais

A Justiça de São Paulo condenou o desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira a pagar R$ 54 mil por danos morais a um guarda municipal de Santos. A indenização decorre de ofensas e constrangimentos ocorridos durante uma abordagem em julho de 2020, quando o magistrado foi multado por não utilizar máscara durante a pandemia. A condenação já transitou em julgado.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo