
O cirurgião Marcelo Evandro dos Santos foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto em Florianópolis (SC), após erro médico que causou graves sequelas a uma paciente. A defesa anunciou que irá recorrer da decisão.
O caso
Em fevereiro de 2024, a paciente Letícia Mello passou por uma cirurgia estética conhecida como “X-Tudo”, que combina diversos procedimentos plásticos em uma única operação. Durante o procedimento, Letícia sofreu complicações severas, incluindo:
- Perda das mamas
- Necrose no abdômen, braços, pernas e costas
- Internação de mais de 75 dias, com transfusões de sangue e cuidados em UTI
Após as complicações, Letícia passou por seis cirurgias reparadoras e continua em acompanhamento médico, com uso de medicamentos e tratamento psicológico.
A paciente realizou redução de mamas, lipo HD, lipoaspiração nas costas e pernas e enxerto nos glúteos. Segundo ela, houve troca de médico durante a internação, diante da gravidade da situação.
Letícia também revelou que, antes da cirurgia, pesquisou o histórico do cirurgião, que possuía registro de especialista em Cirurgia Plástica pela UFSC e não tinha antecedentes criminais. Durante o processo, surgiram outros relatos envolvendo o profissional, que reforçam a importância da fiscalização do CRM.
A condenação
O juiz considerou que Marcelo Evandro dos Santos cometeu lesão corporal de natureza grave, com deformidade permanente, com base em laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP), provas técnicas e testemunhais.
A sentença estabelece a pena de cinco anos de prisão em regime semiaberto, sendo passível de recurso. A defesa alega que as complicações poderiam ter origem em fatores genéticos preexistentes da paciente, questionando a expertise técnica do IGP para avaliar o caso.
O caso será comunicado ao Conselho Federal e Conselhos Regionais de Medicina, que poderão avaliar a suspensão ou cancelamento do registro profissional do cirurgião.
Desfecho e repercussão
Em nota, os advogados da vítima destacaram que a decisão é um marco na responsabilização de condutas médicas fora dos padrões éticos e legais, reforçando a confiança da sociedade na Justiça e na proteção dos direitos das vítimas.
Letícia Mello declarou:
“Hoje consigo me olhar no espelho e ver a linda mulher que sou. Sobrevivi para contar minha história e transformar vidas! Mesmo com as marcas no meu corpo, elas refletem toda a minha luta para sobreviver.”
A defesa do médico, representada pelos advogados César Luiz da Silva e Giovani Gian da Silva, afirmou que recorrerá da decisão, questionando pontos da condenação e buscando sua revisão.
(Com informações do UOL)
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