STF vai decidir se estatais podem contratar sem concurso para cargos de chefia e assessoramento

Data:

Ex-chefe do Serviço de Farmácia do Hospital Gafrée Guinle é condenado por concussão
Créditos: Piotr Adamowicz / Shutterstock.com

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar se é constitucional a contratação de trabalhadores para cargos de direção, chefia e assessoramento em empresas públicas e sociedades de economia mista sem a exigência de concurso público ou de autorização legal específica. O tema será julgado no âmbito do Recurso Extraordinário 1.493.234, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual da Corte (Tema 1.438).

No caso concreto, o Ministério Público do Trabalho (MPT) contesta contratações realizadas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, sob a denominação de “empregos de comissão”. O MPT sustenta que a Constituição não prevê essa figura e que apenas lei específica poderia autorizar a criação de funções comissionadas em empresas estatais.

De acordo com o órgão, as contratações feitas nesse modelo configuram violação à regra constitucional do concurso público e têm impacto coletivo, pois incentivam práticas irregulares na administração pública. O MPT pede a nulidade dos vínculos, a dispensa dos empregados contratados e o pagamento de R$ 1 milhão em danos morais coletivos.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST), ao julgar o caso, entendeu que empresas públicas e sociedades de economia mista que atuam em regime de concorrência podem criar empregos comissionados sem necessidade de lei específica, entendimento que não se aplica à administração direta nem às autarquias. Inconformado, o MPT recorreu ao STF.

O Plenário Virtual acompanhou o voto do ministro Luís Roberto Barroso (hoje aposentado), que defendeu o reconhecimento da repercussão geral, ressaltando que a discussão envolve a interpretação de dispositivos constitucionais sobre o concurso público, o regime jurídico das estatais e a estrutura da administração pública.

Segundo Barroso, a decisão do Supremo terá impacto sobre todas as empresas públicas e sociedades de economia mista da União, dos estados e dos municípios.

Ainda não há data definida para o julgamento. A tese fixada pelo STF no mérito será aplicada a todos os processos semelhantes em tramitação no Judiciário.

(Com informações do STF)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo