Professor emérito da Unifesp é indiciado por apologia a maconha

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Professor emérito da Unifesp é indiciado por apologia a maconha
Créditos: Unifesp

Elisaldo Carlini investiga os efeitos medicinais da planta há 50 anos

Elisaldo Carlini, professor da Unifesp, prestou depoimento no último dia 21/02 na 16º Departamento de Polícia da zona sul de São Paulo, depois de ser indiciado por apologia a maconha. A denúncia aconteceu depois de o professor tomar frente da organização do 5º Congresso Maconha – Outros Saberes, na capital paulista.

Um dos convidados do evento, Ras Geraldinho, cujo nome de batismo é Geraldo Antônio Baptista, cumpre pena por tráfico de drogas e corrupção de menores. Ele é um dos fundadores da primeira igreja rastafári no Brasil e um militante histórico na luta pela descriminalização da maconha no Brasil.

De modo a formalizar o convite e tentar a liberação de Geraldinho, Elisaldo Carlini enviou uma carta ao Centro de Progressão Penitenciária de SP. Teria esse ato embasado o indiciamento, de autoria de uma promotora, por apologia a maconha

Constrangimento na delegacia

Como já mencionado, Elisaldo Carlini é professor emérito da Universidade Federal de São Paulo. Ele já foi, inclusive, condecorado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em função da projeção internacional de suas pesquisas. Carlini já foi citado mais de 12.000 vezes em artigos científicos e teve a relevância de seus trabalhos reconhecida pela Organização Mundial de Saúde – OMS.

Desconhecendo todo esse currículo, os policias conduziram o depoimento no sentido de averiguar alguma ligação do professor de 88 anos com tráfico de drogas ou algum ilícito relacionado ao porte de maconha.  Depois de alguns minutos de conversa e alguma apuração por parte dos investigadores, os policias puderam se dar conta de quem se tratava.

A esse respeito Carlini afirmou:

“Ninguém sabia sobre mim. Eles não tinham a mínima ideia porque ninguém lê artigo científico no Brasil”.

Sobre o processo disse ainda:

“Não acho que o processo vá prosperar. Pobre e preto é quem vai para cadeia. O que eu protesto é contra a lei antidrogas, ultrapassada. Mas se mantiverem o procedimento, eu vou entrar com um processo para mobilizar a sociedade contra esse tipo de ação.”

 

 

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