Racismo recreativo: Justiça do Trabalho mantém justa causa por ofensas em grupo de WhatsApp

Data:

jovens negros
Créditos: betto rodrigues / shutterstock.com

A Justiça do Trabalho confirmou a dispensa por justa causa de uma profissional de educação física em Belo Horizonte, envolvida em atos de injúria racial contra um colega. A decisão da 48ª Vara do Trabalho, proferida pela juíza Jéssica Grazielle Andrade Martins, ocorreu em contexto simbólico do Dia Nacional da Consciência Negra e enquadrou o caso como racismo recreativo, caracterizado pelo uso de piadas, apelidos e mensagens ofensivas para discriminar.

O caso

A trabalhadora integrava um grupo de WhatsApp que criou uma “tabela de pontuação negativa”, atribuindo conotação depreciativa à cor da pele negra dos colegas. Mensagens, figurinhas e apelidos racistas — incluindo comparações a animais e personagens fictícios — foram compartilhados no grupo.

Após denúncia formal de outro profissional da academia, que anexou prints das mensagens e das montagens ofensivas, a empregadora aplicou a dispensa por justa causa. A ex-funcionária contestou, alegando ter exercido suas funções com dedicação, negar os atos e questionar a ausência de imediatidade e gradação na punição.

Decisão judicial

A juíza considerou a conduta grave e evidente como racismo, destacando que a ex-empregada participou ativamente do grupo, endossando e disseminando conteúdo preconceituoso. Para a magistrada, o contexto configura racismo recreativo conforme o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial do CNJ, reforçando que vínculo pessoal ou afinidade entre os participantes não exime a responsabilidade.

O tempo decorrido entre a denúncia (14/1/2025) e a dispensa (27/1/2025) foi considerado razoável, afastando alegações de falta de imediatidade. Além disso, a juíza rejeitou a justificativa da autora de imunidade por também ser negra, classificando o argumento como tentativa de banalizar o racismo estrutural.

O pedido de indenização por dano moral também foi negado. A decisão validou a proibição da ex-funcionária de atuar nas academias da rede, considerando seu comportamento incompatível com normas internas e princípios éticos.

Recurso

A ex-empregada recorreu, mas a Terceira Turma do TRT de Minas manteve a sentença em 2 de julho de 2025. O processo segue agora para análise do TST por recurso de revista.

Significado no Dia da Consciência Negra

A decisão coincide com o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (20 de novembro), data que lembra a resistência e a luta da população negra no Brasil. Casos como este reforçam o papel do Poder Judiciário na promoção da igualdade racial e na proteção contra o racismo, demonstrando a importância de aplicar a lei de forma concreta, inclusive no ambiente de trabalho.

(Com informações do TRT-3)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo