Para professor, reforma tributária é necessária mas precisa reduzir custos com burocracia

Data:

O advogado professor de Direito Tributário, Caio Bartine, defende ainda aumento de investimentos e melhora da produtividade

cpmf
Créditos: Doucefleur | iStock

A reforma tributária, tão esperada há anos, é necessária para o crescimento do país. Mas urgente mesmo é simplificar o atual sistema tributário e fiscalizar efetivamente o uso público do dinheiro arrecadado com impostos. Além disso, é preciso reduzir custos com burocracia, facilitar investimentos e melhorar a produtividade. A afirmação é do advogado e professor de Direito Tributário, Caio Bartine.

Segundo ele, o sistema tributário atual é muito complexo com mais de 90 tributos (incluindo impostos, taxas e contribuições), cinco mil leis e 46 mil artigos. “Os tributos estão por todos os cantos na nossa vida e são cobrados pelo governo federal, estados e municípios. São tantas siglas – como IR, ICMS, Pis-Pasep, Cofins, IPTU, IPVA – que nem o cidadão comum e nem as empresas sabem direito o que e o porquê estão pagando”.

O tributarista lembra que dados do Banco Mundial mostram que as empresas brasileiras gastam em média duas mil horas por ano para conseguir estar em dia com as obrigações tributárias.  “O custo para administrar pagamento de impostos no Brasil é um dos maiores do mundo e este dinheiro poderia estar sendo usado em investimento e geração de emprego. Por isso, hoje é tão difícil convencer investidores nacionais e estrangeiros a injetar dinheiro no país”, explica o tributarista.

CPMF?

Para o professor Caio Bartine, a ideia de recriar algo parecido com Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) não é viável. “É uma ideia antipática para a maioria da população. Além das diversas críticas já recebidas, a ideia poderia acarretar no futuro uma desbancarização, ou seja, as pessoas tirariam o dinheiro do banco e poderiam passar a usar mais dinheiro vivo. A curto prazo, haveria um aumento da carga tributária, visto que o percentual proposto inicialmente não alcançaria a arrecadação necessária. “A proposta inicial de 0,4% sobre a movimentação financeira fatalmente subiria para 1% em pouco tempo”, ressalta.

No início da semana, a equipe econômica do Governo apresentou proposta de reforma tributária prevendo a taxação de saques e depósitos em dinheiro com um alíquota inicial de 0,4%. Para os pagamentos no débito e no crédito, a alíquota seria de 0,2% para cada lado da operação. Na ocasião, os técnicos defendiam que o instrumento criado substituiria os atuais Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e contribuição sobre a folha de pagamento. A medida desagradou o presidente Jair Bolsonaro e resultou na demissão do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra.

Vale lembrar que a CPMF foi um tributo brasileiro com aplicação em âmbito federal de 1996 a 2007 para arrecadar verbas destinadas à saúde pública. A alíquota, que era originalmente de 0,25%, foi elevada na época de seu restabelecimento para 0,38% e a sua destinação mudou drasticamente com o passar do tempo.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

Relatório do Coaf que embasou a Operação Distrato registra 15 transferências realizadas por Nelson Wilians, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, totalizando R$ 6,6 milhões destinados à Icon Properties, empresa ligada a Michael Klein. A movimentação é mencionada no contexto de investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS. Wilians afirma que as operações são lícitas e não têm relação com os fatos investigados. Michael Klein não se manifestou, enquanto a Casas Bahia informou ter criado um comitê independente para apurar o caso.

STF valida limite mensal para compensação de créditos tributários reconhecidos judicialmente

O STF considerou constitucionais as regras que permitem estabelecer limites mensais para a compensação de créditos tributários federais reconhecidos por decisões judiciais definitivas. Por unanimidade, o Plenário entendeu que a legislação pode disciplinar a forma e o prazo de utilização desses créditos, sem violar o direito de propriedade ou a coisa julgada. A regra alcança créditos superiores a R$ 10 milhões e prevê prazo máximo de 60 meses para a compensação.

STJ definirá se gorjetas repassadas a empregados integram base de cálculo do Simples Nacional

A 1ª Seção do STJ analisará, sob o rito dos recursos repetitivos, se gorjetas recebidas por empresas e posteriormente repassadas aos empregados devem integrar a base de cálculo do Simples Nacional. O Tema 1.473, relatado pela ministra Regina Helena Costa, teve sua afetação determinada diante da existência de diversos processos sobre a matéria. Embora as Turmas de Direito Público já tenham decisões no sentido de que as gorjetas não constituem receita própria da empresa, o julgamento deverá uniformizar a jurisprudência sobre a questão.

Nova lei limita multas tributárias e amplia acordos entre Fisco e contribuintes

A Lei Complementar nº 236/2026 estabelece novas regras para processos e conflitos tributários, limita as multas a 75% do imposto devido como regra geral e amplia mecanismos de negociação entre contribuintes e o Fisco. A legislação prevê descontos para a regularização de débitos, uniformiza procedimentos administrativos, cria a possibilidade de arbitragem especial tributária e aduaneira mediante regulamentação específica e fortalece instrumentos como mediação e transação tributária. A norma foi sancionada com 14 vetos presidenciais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo