TRF-2 mantém na Justiça Federal ação do MPF contra Igreja Universal por suposto assédio judicial a jornalista

Data:

TRF-2 mantém na Justiça Federal ação do MPF contra Igreja Universal por suposto assédio judicial a jornalista | Juristas
Créditos: Zolnierek/Shutterstock.com

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) decidiu manter na Justiça Federal a ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a Igreja Universal do Reino de Deus, que apura suposto uso abusivo do sistema judicial contra o jornalista e escritor João Paulo Cuenca.

A decisão foi unânime e representa uma reviravolta no andamento do processo, que anteriormente havia sido remetido à Justiça Estadual. Com o novo entendimento, o caso retorna à 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

O MPF sustenta que integrantes ligados à Igreja Universal teriam ajuizado mais de 140 ações judiciais semelhantes contra o jornalista, distribuídas em diferentes estados, após uma publicação feita em rede social em 2020. Para o órgão, o volume e a repetição das demandas indicariam uma estratégia coordenada de intimidação e desgaste financeiro.

Segundo a acusação, a prática configuraria “assédio judicial”, caracterizado pelo uso reiterado do sistema de Justiça com o objetivo de pressionar, constranger e dificultar a atuação de comunicadores, podendo gerar autocensura e impacto à liberdade de imprensa.

O Ministério Público Federal também afirma que a atuação não se limitaria ao caso individual de Cuenca, mas representaria risco mais amplo à liberdade de expressão e ao funcionamento do próprio sistema de Justiça. O órgão pede a condenação da instituição ao pagamento de ao menos R$ 5 milhões por danos morais coletivos, valor que seria destinado a iniciativas de proteção à liberdade de imprensa.

A controvérsia analisada pelo TRF-2 não envolveu o mérito das acusações, mas a definição da competência jurisdicional. O tribunal entendeu que a presença do MPF na ação é suficiente para justificar a tramitação na Justiça Federal.

Os desembargadores também destacaram que a legitimidade da atuação do Ministério Público poderá ser analisada no curso do processo, sem prejuízo da continuidade da ação na esfera federal.

O entendimento foi reforçado por manifestação da Procuradoria Regional da República da 2ª Região, que classificou o ajuizamento massivo de ações idênticas como possível prática abusiva, com potencial de gerar insegurança jurídica e constrangimento ao exercício da atividade jornalística.

O caso ganhou repercussão nacional e se tornou referência no debate sobre assédio judicial contra jornalistas. A expressão é usada para descrever o uso reiterado do Judiciário como forma de intimidação, com impactos econômicos e psicológicos sobre comunicadores.

(Com informações do O Globo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Livro Desvendando os Direitos dos Passageiros Aéreos consolida-se como obra de referência no Direito Aeronáutico

Com prefácio do ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a obra reúne legislação, tratados internacionais, regulamentação da ANAC e jurisprudência em um estudo aprofundado sobre a proteção jurídica dos passageiros do transporte aéreo.

Johnson & Johnson propõe acordo bilionário para encerrar milhares de processos sobre talco

A Johnson & Johnson anunciou um acordo de aproximadamente US$ 5,5 bilhões para encerrar cerca de 76 mil ações judiciais nos Estados Unidos relacionadas à suposta associação entre produtos à base de talco e câncer de ovário. O acordo depende da adesão de 95% das autoras das ações. A empresa afirma que a medida não representa reconhecimento de culpa e continua sustentando que seus produtos são seguros.

Justiça Federal torna réus oito investigados por suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à máfia italiana

A Justiça Federal do Ceará tornou réus quatro brasileiros e quatro italianos denunciados pelo MPF por suposta participação em organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro, crimes tributários e falsidade ideológica. Segundo a acusação, empresas de fachada teriam sido criadas para obter vistos de investidor e internalizar recursos de origem ilícita, com suspeitas de ligação com a máfia italiana 'Ndrangheta. Os acusados negam qualquer irregularidade, e o caso seguirá para a fase de instrução processual.

Justiça condena homem a mais de 121 anos de prisão por estupro de vulnerável contra as próprias filhas

A Justiça de Minas Gerais condenou um homem a 121 anos e quatro meses de prisão por estupro de vulnerável contra as próprias filhas, além de atos de lascívia e ameaça contra a companheira. Os crimes ocorreram entre 2024 e março de 2026, em Sabinópolis (MG), e foram interrompidos após denúncia ao Conselho Tutelar. O condenado cumprirá a pena em regime fechado, não poderá recorrer em liberdade e também deverá indenizar as vítimas por danos morais.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo