Advogado é investigado por suspeita de intermediar esquema de propina envolvendo policiais em SP

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Créditos: Tatiane Silva | iStock

Um advogado é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sob suspeita de atuar como intermediário em um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo policiais civis do Estado. Segundo a investigação, mensagens atribuídas ao profissional mostram uma fotografia de uma caixa de papelão com maços de dinheiro e um áudio no qual ele teria se referido ao recipiente como a “caixinha da alegria”.

As mensagens estão relacionadas a um episódio ocorrido em agosto de 2024, quando, conforme os investigadores, teria sido negociado o pagamento de R$ 700 mil para a liberação de uma carga apreendida. Parte dos valores teria sido transferida por Pix para contas indicadas pelo advogado, enquanto outra parcela teria sido paga em dinheiro.

De acordo com a apuração, o advogado teria desempenhado o papel de intermediário entre policiais e empresários envolvidos nas negociações. Ele seria responsável por indicar contas para os pagamentos, orientar sobre os valores que deveriam ser informados às autoridades e participar da operação de devolução das mercadorias.

Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, o advogado teria feito uma prestação de contas sobre o dinheiro arrecadado em espécie, mencionado valores recebidos de duas pessoas e encaminhado uma fotografia de uma caixa de papelão contendo diversos maços de cédulas. Em um áudio, teria chamado o recipiente de “caixinha da alegria”.

Dias depois, ainda segundo a investigação, o profissional teria enviado a outro investigado uma relação dos valores arrecadados, indicando que a quantia solicitada havia sido atingida. Os investigadores também afirmam que ele cobrava a realização dos pagamentos, fornecia chaves Pix e acompanhava a arrecadação dos valores pagos em dinheiro.

A investigação aponta ainda para a suspeita de utilização da própria estrutura da Polícia Civil para viabilizar as atividades ilícitas. Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo teriam utilizado recursos e sistemas da corporação para monitorar cargas ilegais de produtos eletrônicos e obter vantagens indevidas.

As apurações indicam que dependências policiais também poderiam ter sido utilizadas para armazenar mercadorias e formalizar apreensões apenas de parte dos produtos, criando uma aparência de regularidade nas operações. A suspeita é de que policiais utilizassem informações obtidas por meio dos sistemas da corporação para acompanhar cargas que posteriormente seriam interceptadas.

A Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva relacionados à investigação. Até a última atualização, cinco pessoas haviam sido presas, entre elas três policiais civis, o advogado investigado e um empresário apontado como intermediário do esquema. Entre os dois alvos restantes, um é considerado foragido e estaria no Paraguai, segundo a investigação, enquanto outro policial civil ainda era procurado.

Outro policial citado na investigação não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública, teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e foi proibido de manter contato com investigados e testemunhas.

Segundo os investigadores, foram identificados 13 acessos realizados com o login funcional desse policial no sistema Muralha Paulista/Cortex, relacionados a um veículo que posteriormente teria sido envolvido em um dos episódios investigados. A suspeita é de que o sistema tenha sido utilizado para monitorar um caminhão ligado ao suposto esquema de corrupção.

As investigações permanecem em andamento, e as acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal. As defesas dos investigados são procuradas para se manifestarem sobre as suspeitas.

(Com informações do G1 por Isabela Leite)

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