
O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a condenação do influenciador e empresário Renato Cariani, de 50 anos, por suspeita de envolvimento em um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o grupo teria desviado produtos químicos utilizados na fabricação de cocaína e crack entre 2016 e 2020.
Além de Cariani, a Promotoria solicitou a condenação de Roseli Dorth, sócia do influenciador na empresa Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda., localizada em Diadema (SP), e de Fábio Spinola Mota, apontado pela investigação como intermediário no esquema e suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O processo está na fase de alegações finais da defesa. Em nota, os advogados de Cariani, Aldo Romani Netto e José Eduardo Martins Cardozo, afirmaram que contestarão os argumentos apresentados pelo Ministério Público e sustentarão a improcedência das acusações. Após essa etapa, o caso deverá ser encaminhado para decisão judicial, ainda sem prazo definido.
A defesa de Mota também afirma que ele é inocente. Segundo sua advogada, Paula Minichillo, as provas produzidas durante a instrução criminal contradizem as acusações e corroboram as declarações prestadas pelo cliente. A defesa de Roseli Dorth foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, parte dos produtos químicos adquiridos legalmente pela Anidrol teria sido desviada para a produção de entorpecentes. Para encobrir as operações, o grupo supostamente utilizava notas fiscais falsas e depósitos realizados em nome de terceiros, além de empregar indevidamente o nome da farmacêutica AstraZeneca.
A apuração identificou o possível desvio de aproximadamente 12 toneladas de substâncias químicas, entre elas acetona, éter etílico, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, manitol e fenacetina. Esses produtos podem ser utilizados em diferentes etapas do processamento de drogas.
As investigações tiveram início após a Receita Federal identificar um depósito em dinheiro de R$ 212 mil que aparentava ter sido realizado pela AstraZeneca. A empresa, contudo, negou ter feito a movimentação financeira e afirmou não possuir vínculo com a companhia de Cariani.
Durante a apuração, o influenciador apresentou mensagens que atribuiu a um suposto funcionário do laboratório, identificado como Augusto Guerra. Segundo a análise da Polícia Federal, porém, Fábio Spinola Mota teria registrado um domínio de internet em nome da AstraZeneca e criado um endereço eletrônico associado ao suposto funcionário.
A estimativa da Polícia Federal é de que o esquema possa ter movimentado mais de R$ 6 milhões. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
(Com informações da Folha de São Paulo por Jorge Abreu)
Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.
PARTICIPE DO CANAL
Acompanhe o Juristas no Google News
receba as principais notícias jurídicas do Brasil