
Carlos Henrique Abrão
Avizinham-se as eleições em território brasileiro, marcadas para outubro do ano de 2026. As campanhas já dispararam e revelam uma total ausência de discurso republicano e comprometido com a democracia. Deflagrada a tempestade perfeita, Executivo, Legislativo e Judiciário vivem momentos delicados e de conflito interno para a superação dos impasses, das disputas internas e dos objetivos consagrados na Constituição Federal.
Efetivamente, atravessamos um aspecto peculiar da história e de autofalência moral, institucional e, notadamente, ética das instituições constituídas, as quais deveriam se ocupar e se preocupar, em primeiro lugar, com o dever de servir à Pátria e traduzir lições de compromisso com a eticidade e, principalmente, em harmonia com as graves sequelas decorrentes de uma possível ingovernabilidade em razão da dívida pública, que alcança a casa dos 10 trilhões de reais.
Ao passo, assistimos a desistências em série de bilhões de imóveis comprados, à paralisação geral dos negócios, milhares de comerciantes fechando ou despedindo empregados e a tantas empresas em recuperação judicial.
A pergunta que não quer calar: a crise seria somente local e institucional ou, além disso, teria conotação mundial, abrangendo a própria essência fundamental globalizada?
A visão macro indica que Europa e Estados Unidos estão apinhados de problemas econômicos e sociais, e tudo isso implica repercussão em termos de América Latina. Mas o Brasil é sui generis, com sua dimensão territorial, populacional e de circunstâncias apegadas ao número de brasileiros cadastrados em órgãos de proteção ao crédito e de empresas endividadas.
O mecanismo adotado pelo governo brasileiro não deu certo, e isso todos enxergamos. Apesar de toda a volatilidade dos mercados e dos impasses gerados pelas tarifas americanas, continuamos nosso voo de galinha e sem perspectiva de romper com a inflação e com o próprio enfrentamento do desaquecimento da economia.
Entretanto, e aqui é o ponto nodal, tudo está na realidade do descrédito institucional da Nação e de suas parcas lideranças. São sempre os mesmos políticos de ontem que hoje voltam para prometer um futuro esperançoso e distante da nossa realidade.
Os escândalos financeiros pipocam e atingem a cúpula do poder, e o cerne da questão diz respeito à falta de autoridade moral, ética e de governabilidade. Com isso, esfarapam-se todas as tentativas de reconstrução da República.
A data de 7 de setembro indica um caminho reluzente da independência do jugo externo, porém milhares de brasileiros estão atados aos nós da economia, das dívidas e da falta de emprego e pagam o caro preço da autofalência institucional.
Precisamos urgentemente dar um grito de independência de tudo aquilo que nos coloca no passado e impede de crescer e desenvolver a passos largos. A Nação está carcomida, com trilhões em déficit e crescimento pífio. A perda do poder aquisitivo é manifesta, e a população sente os efeitos maléficos da carestia, da comida inflacionada e dos ganhos insuficientes.
Enquanto não houver uma jornada responsável, com políticos identificados com a boa causa e preocupados com a Nação, por meio da reforma partidária e eleitoral, ficaremos mergulhados no atraso secular.
Que a data de 7 de setembro sirva de reflexão para o acontecido há dois séculos, que hoje nos coloca nos tentáculos de uma economia esfacelada e esfrangalhada, com lucros bancários bilionários e a ruptura de ganhos de escala, tudo a gerar dúvidas e incertezas no céu nublado da Pátria brasileira.
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