
O governo federal enfrentou, ao longo desta semana, um ataque cibernético considerado “sem precedentes” contra a plataforma Gov.br e estruturas tecnológicas do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). A informação foi divulgada por André Picoli Agatte, diretor de Novos Negócios da estatal, durante a II Semana de Inteligência Artificial do Serpro, realizada em Brasília até esta sexta-feira (6).
Durante o evento, Agatte afirmou que a empresa conseguiu responder à ofensiva e demonstrou capacidade de resistência diante do incidente. Apesar da declaração, o executivo não apresentou detalhes sobre a natureza do ataque, sua dimensão ou a eventual ocorrência de danos aos sistemas governamentais.
Segundo o diretor, um dos principais desafios enfrentados atualmente pela estatal é a crescente sofisticação dos ataques cibernéticos, especialmente em razão do uso cada vez mais amplo da inteligência artificial. Ele também destacou a necessidade de ampliar os investimentos em segurança digital e aprimorar os mecanismos de proteção da infraestrutura tecnológica do governo.
A preocupação ganha relevância diante da quantidade de cidadãos que utilizam os serviços digitais federais. De acordo com dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), atualizados até outubro de 2026, o Gov.br reúne 179,5 milhões de contas ativas, disponibiliza 5.390 serviços digitais federais e possui aproximadamente 4 mil sistemas integrados aos mecanismos de identificação e autenticação dos usuários.
Ainda não foram esclarecidos os procedimentos adotados para comunicar o incidente às estruturas federais responsáveis pela coordenação e resposta a ataques cibernéticos. Também não há informações sobre eventual notificação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A comunicação à ANPD é exigida quando um incidente de segurança envolvendo dados pessoais puder acarretar risco ou dano relevante aos titulares, conforme os critérios previstos na legislação. Como as características e os possíveis impactos do ataque não foram detalhados, não é possível determinar se essa obrigação se aplica ao caso.
(Com informações de Convergência Digital por Ana Paula Lobo)
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