O Brasil não é só o país do futebol. É dos advogados!

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O Brasil não é só o país do futebol. É dos advogados! | Juristas

Alice Castanheira

Conhecido internacionalmente como o país do futebol, o Brasil é hoje a nação dos advogados. O futebol brasileiro faz parte da cultura nacional, desperta paixões e une pessoas de diferentes classes sociais, idades e regiões. Em ano de Copa do Mundo, o país para!

Mas, o que vem chamando a atenção nos últimos anos é outra coisa. Atualmente, o Brasil possui uma das maiores quantidades de profissionais do Direito do mundo, o que levanta a seguinte reflexão: o Brasil continua sendo o país do futebol ou tornou-se o país dos advogados?

São mais de 1,4 milhão de advogados com registro regular na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Isso significa uma proporção de um profissional para cada grupo de 145 a 164 habitantes, colocando o país entre as maiores densidades de profissionais do Direito no mundo.

Na prática, o país lidera a proporção mundial de advogados por habitante ao mesmo tempo que a Índia possui o maior número em quantidade total de profissionais. Entre os indianos, a proporção fica em torno de um advogado para cada 700 habitantes devido à imensa população do país. Já nos Estados Unidos a proporção é de um advogado para cada 253 habitantes.

Os números no futebol são mais singelos: cerca de 90 mil jogadores profissionais registrados no Brasil, de acordo com levantamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que é utilizado em diversos estudos sobre o mercado do futebol. Esse dado inclui atletas profissionais registrados no sistema da entidade. Desses, 55% recebem menos de R$ 1.000 por mês e 88% ganham até R$ 5.000 mensais, mostrando que apenas uma pequena parcela atua nos grandes clubes e recebe altos salários. Na prática, podemos dizer que a relação é de 17 advogados para cada jogador profissional.

Vale ressaltar que esse contraste reforça a ideia central deste artigo: apesar do Brasil ser mundialmente conhecido pelo futebol, o número de advogados é muito superior ao de jogadores profissionais. Enquanto existem aproximadamente 1,4 milhão de advogados, há cerca de 90 mil atletas profissionais registrados, evidenciando a enorme dimensão da advocacia no país.

Assim como no futebol, as cifras negociadas no Direito também são gigantes. O mercado de serviços jurídicos no Brasil movimenta cifras bilionárias, com estimativas de mercado internacional apontando um valor na faixa de US$ 18,5 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões), enquanto levantamentos tradicionais de eventos do setor historicamente dimensionavam o faturamento direto interno na casa de dezenas de bilhões de reais (dados fornecidos pela Fenalaw em 2017).

Em 2024, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicaram o primeiro estudo demográfico da advocacia com 20.885 respondentes. Três achados são decisivos para entender a dinâmica de oferta de serviços jurídicos: 72% dos profissionais atuam como autônomos; 29% vinculam-se a empresas/escritórios privados; e 4% declararam-se desempregados no momento da pesquisa. O estudo revelou a atuação concentrada em capitais/regiões metropolitanas (46%) e renda individual majoritária entre dois e 10 salários-mínimos.

 

O Brasil foi campeão mundial cinco vezes. É o único país pentacampeão, além de ter revelado jogadores que se tornaram referências mundiais, como Pelé, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e até o polêmico Neymar. O esporte está presente nas escolas, nas comunidades e nos grandes estádios, sendo um importante elemento da identidade cultural brasileira.

Por outro lado, o crescimento da área jurídica é um fenômeno marcante. O Brasil possui milhares de cursos de Direito e um número de advogados que supera o de muitos países desenvolvidos. Esse cenário é resultado da expansão do ensino superior, do aumento das demandas judiciais e da valorização das carreiras jurídicas. Além da advocacia, áreas como magistratura, Ministério Público, Defensoria Pública e advocacia pública atraem milhares de estudantes todos os anos.

O elevado número de advogados reflete tanto oportunidades quanto desafios. A ampliação do acesso à Justiça fortalece a defesa dos direitos dos cidadãos e contribui para a consolidação da democracia. Entretanto, a grande quantidade de profissionais também torna o mercado altamente competitivo, exigindo constante atualização, especialização e ética profissional.

Há quem diga que o mercado jurídico está saturado. Assim como os que dizem que o mercado do futebol também acabou. Eu discordo nos dois casos.

Ao comparar essas duas áreas de atuação profissional no Brasil, percebe-se que elas representam aspectos diferentes da sociedade. O futebol simboliza a cultura, a paixão popular e a identidade nacional. Já a advocacia representa o fortalecimento das instituições, a busca por direitos e a evolução do sistema jurídico. Assim, não se trata de escolher apenas uma dessas identidades, mas de compreender que ambas convivem na realidade brasileira.

E, no mês do advogado, podemos concluir que o Brasil continua sendo reconhecido mundialmente pelo futebol, mas também se destaca pela expressiva quantidade de advogados e pela relevância do Direito em sua organização social. Assim, é possível afirmar, sem sombra de dúvidas, que o Brasil pode ser considerado tanto o país do futebol quanto um dos países com maior presença da advocacia, demonstrando que tradição cultural e desenvolvimento institucional podem caminhar juntos.

E viva a advocacia!

 

 

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Alice Castanheira
Alice Castanheira
Alice castanheira Profissional com mais de 32 anos de experiência em Comunicação. Bacharel em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, pós-graduada em Gestão de Redes Sociais pela PUC de São Paulo. Advogada formada em Direito pela Faculdade Integradas de Guarulhos (FIG-UNIMESP) e pós-graduada em Direito Previdenciário pela Escola Paulista de Direito (EPD). Já foi assessora de comunicação na Prefeitura de São Paulo, no Governo de São Paulo, no Sebrae-SP, no Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo (2ª Região) e atuou como editora executiva de economia dos jornais Diário Popular, Diário de S. Paulo e no Infoglobo. É membro da Comissão de Marketing Jurídico da OAB de Santo Amaro (SP) e da Comissão da Mulher da OAB do Rio de Janeiro.

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