Câmara Legislativa do DF aprova projeto que autoriza instalação de câmeras em salas de aula da rede pública: entenda em seis pontos

Data:

Câmara Legislativa do DF aprova projeto que autoriza instalação de câmeras em salas de aula da rede pública: entenda em seis pontos | Juristas
objective with lense reflections. Shot in studio.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, nesta terça-feira (21), o projeto de lei que autoriza o Governo do Distrito Federal a instalar câmeras em todas as salas de aula da rede pública de ensino.

A proposta, de autoria dos deputados Thiago Manzoni (PL) e Roosevelt (PL), segue agora para sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). Caso seja vetada, o texto retornará à Câmara, que poderá manter ou derrubar o veto.

O projeto abrange escolas de ensino fundamental, médio e infantil, incluindo creches e pré-escolas.
Na versão original, a instalação das câmeras seria obrigatória, mas o texto foi alterado durante a votação para tornar a medida facultativa, cabendo a cada direção escolar decidir se deseja ou não adotar o sistema de vigilância.

A redação final estabelece:

“Art. 3º O monitoramento por câmeras das salas de aula pode ser realizado por decisão da diretoria escolar.

  • 1º As instituições que optarem pelo monitoramento das atividades em salas de aula devem observar as seguintes diretrizes […]”

A seguir, os principais pontos do projeto:

  1. Gravação

O texto prevê a captação de vídeo e áudio nas salas de aula.

As imagens devem ser armazenadas em sistema digital e poderão ser transmitidas em tempo real para órgãos de segurança pública.

As áreas monitoradas devem conter placas informando sobre a filmagem.

  1. Locais de instalação

As câmeras deverão ser posicionadas em entradas, saídas, corredores, áreas de recreação e cantinas, de modo a garantir cobertura integral da instituição.
A instalação é vedada em banheiros, vestiários e outros locais que exijam privacidade.

  1. Decisão sobre a instalação

A adesão ao monitoramento não é obrigatória. A decisão caberá à direção da escola, que poderá optar pela implementação do sistema conforme sua avaliação.

  1. Acesso ao conteúdo

O acesso às imagens poderá ocorrer mediante solicitação da Justiça, do Ministério Público ou de órgãos de Segurança Pública, para fins de investigação.
Professores também poderão solicitar as gravações para comprovar agressões sofridas ou se defender de acusações.

  1. Sigilo das gravações

A direção da escola será responsável pela guarda e pelo sigilo das imagens, sendo proibida sua divulgação.

  1. Custos

As despesas relacionadas à execução da lei deverão ser cobertas pelas dotações orçamentárias próprias, podendo ser suplementadas se necessário, conforme o cronograma de implementação definido em regulamento.

Contexto: casos recentes de violência nas escolas

O projeto surge em meio ao aumento de episódios de violência em instituições públicas do DF. Entre os casos registrados:

  • 22 de maio: professor e aluno trocaram socos no CEM Ave Branca, em Taguatinga;
  • 4 de julho: professor deu um tapa em aluno no Centro Educacional 03 do Guará;
  • 20 de outubro: pai de uma aluna agrediu um professor com nove socos após discussão sobre o uso de celular em sala.

(Com informações do G1)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo