Condenada por pirâmide financeira deixa o Brasil apesar de restrição judicial e passa a viver em Dubai

Data:

Casal - Adoção
Créditos: wutwhanfoto / iStock

A brasileira Isabela Christy Gomes Barros, condenada por estelionato e crime contra a economia popular em razão de um esquema de pirâmide financeira, voltou ao centro das atenções após deixar o Brasil, apesar de existir uma decisão judicial que, segundo representantes das vítimas, proibia sua saída do país.

Imagens obtidas pelo programa Fantástico mostram Isabela registrando sua passagem pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) e comemorando o embarque para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela afirma ter passado normalmente pelo controle migratório.

“Passei, passei, não me barro em nada, nada, nada. Partiu Dubai. Só pegou o passaporte, passou na maquininha e falou: ‘Boa viagem, senhora Isabela’.”

Decisão judicial previa restrição de saída do país

De acordo com o advogado que representa aproximadamente 100 vítimas em uma ação cível, a Justiça havia determinado que Isabela e seu companheiro não deixassem o território nacional enquanto tramitava o processo de reparação dos prejuízos causados aos investidores.

Além da restrição, também foi fixada a obrigação de indenizar 18 vítimas no valor total de R$ 880 mil.

Segundo o advogado, a saída do país, caso confirmada em desacordo com a decisão judicial, poderá ser analisada sob o aspecto do eventual descumprimento de ordem judicial. Diante da situação, ele informou ter solicitado esclarecimentos à Polícia Federal sobre como o embarque foi autorizado.

Em nota encaminhada ao Fantástico, a Polícia Federal informou que dados pessoais relativos a controle migratório são protegidos por sigilo legal e somente podem ser divulgados nas hipóteses previstas em lei ou mediante autorização do titular.

Condenação por esquema de pirâmide financeira

Isabela Christy ficou conhecida após ser condenada por operar um esquema de pirâmide financeira que prometia elevados rendimentos a investidores.

Segundo a decisão judicial, o modelo de negócios funcionava mediante a entrada contínua de novos participantes, característica típica desse tipo de fraude, causando prejuízos significativos às vítimas.

Após cumprir a pena imposta pela Justiça brasileira, ela passou a residir em Dubai, onde mantém intensa atividade nas redes sociais. Em seus perfis, apresenta-se como cantora gospel, empreendedora internacional, modelo e “criadora de estilo de vida”, compartilhando imagens de viagens, imóveis e veículos de alto padrão.

Novas suspeitas são acompanhadas pelas autoridades

Além da condenação anterior, Isabela é alvo de novas suspeitas envolvendo modelos de investimento que, segundo relatos apresentados no programa, apresentam características semelhantes às do esquema pelo qual foi condenada.

As autoridades acompanham as denúncias, enquanto vítimas buscam responsabilização judicial e o ressarcimento dos prejuízos financeiros.

Muitos investidores afirmam ter perdido economias acumuladas ao longo da vida, vendido patrimônio ou contraído dívidas acreditando nas promessas de rentabilidade. Os relatos também apontam consequências emocionais e familiares decorrentes das perdas financeiras.

Defesa nega irregularidades

Em contato telefônico com a reportagem do Fantástico, Isabela Christy declarou ser inocente das acusações e afirmou que mantém contato com investidores, prometendo devolver os valores aplicados, sem incidência de juros.

Os fatos relacionados à eventual violação da decisão judicial e às novas denúncias ainda poderão ser objeto de apuração pelas autoridades competentes.

(Com informações do G1 por Fantástico)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo