Crise da Oi expõe riscos ao controle aéreo e às lotéricas brasileiras

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contrato de telefonia
Créditos: Pinkypills / iStock

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro declarou a falência da operadora de telecomunicações Oi nesta segunda-feira (10/11). Essa decisão lança luz sobre fragilidades críticas nos serviços públicos brasileiros, como o controle do espaço aéreo e o funcionamento das lotéricas.

Conforme o despacho judicial, a Oi detém contratos essenciais com o Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) — responsável pelos quatro centros regionais que operam tanto o tráfego civil quanto a defesa aérea militar.

Também estão em jogo os contratos que a empresa mantém para prover conectividade a aproximadamente 13 mil casas lotéricas da Caixa Econômica Federal em todo o país.

No entendimento da Justiça, a simples liquidação (conversão da recuperação judicial em falência) da Oi poderia provocar um colapso nacional de serviços, com efeitos “demasiados prejuízos à coletividade, e, em alguns casos, riscos operacionais consideráveis no tráfego aéreo civil e militar”.

Para mitigar o impacto, a decisão estipulou que os contratos estratégicos sejam mantidos provisoriamente pela Oi ou transferidos a outro operador — por exemplo, o contrato com a Cindacta deve ser assumido pela Claro.

Mas ainda não há prazo para essa transição, e muitos contratos estão em aberto, o que acentua a insegurança.

Além do tráfego aéreo e das lotéricas, a operadora presta serviços de infraestrutura de TIC (tecnologia da informação e comunicação) para governos municipais, estaduais e federal, bancos, varejo e empresas de economia mista. Estima-se cerca de 5 mil contratos nesses setores.

A decisão judicial cita: “rede de dados e voz, vídeo monitoramento, conectividade e segurança de dados…”, o que evidencia o grau de dependência de diversas áreas da sociedade em relação a essas operações.

Entidades sindicais do setor de telecomunicações alertam para a “destruição” da Oi caso este processo de falência não seja conduzido com cautela, destacando riscos para trabalhadores, para o fundo de pensão da empresa e para regiões remotas onde ela opera como única provedora.

Em resumo: a falência da Oi não é apenas um problema financeiro da empresa, mas expõe fragilidades estruturais nos serviços essenciais à população — desde controle de voo até pagamento de benefícios em lotéricas — que dependem de redes privadas de telecomunicações. O episódio serve de alerta para a vulnerabilidade da infraestrutura crítica no Brasil.

(Com informações do UOL)

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