Denúncia aponta corrupção sistêmica na Polícia Civil em esquema bilionário

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esquema de corrupção
Créditos: Kritchanut | iStock

O Ministério Público de São Paulo denunciou 23 pessoas, entre elas policiais civis, suspeitas de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro com ramificações dentro da própria Polícia Civil. A acusação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com base nas investigações da Operação Bazaar, deflagrada em março deste ano.

Os denunciados respondem por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, fraude processual e associação criminosa. Segundo a investigação, agentes públicos recebiam propina de integrantes da organização criminosa para facilitar a atuação do grupo e evitar responsabilizações.

De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionava por meio de uma estrutura organizada em diferentes núcleos. O chamado “núcleo policial” atuaria diretamente na manipulação de investigações, com práticas como paralisação de inquéritos, eliminação de provas e alteração de relatórios. Já o “núcleo financeiro” seria responsável pela movimentação dos valores ilícitos, enquanto intermediários — incluindo advogados — negociariam vantagens indevidas e orientariam envolvidos.

As apurações indicam que os pagamentos de propina ocorriam de forma sistemática desde 2020, inclusive após ações da Polícia Federal. Os valores eram repassados por meio de transferências eletrônicas, entregas em espécie e fracionamento de quantias.

A denúncia também aponta tentativas de interferência nas investigações, como a substituição de equipamentos apreendidos e a retirada de documentos relevantes. O suposto esquema teria alcançado diferentes setores da Polícia Civil paulista, incluindo unidades especializadas e distritos policiais.

O Ministério Público requereu a manutenção das prisões preventivas já decretadas, além de medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes e bloqueio de bens dos investigados, podendo chegar a R$ 5 milhões por pessoa.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha o caso e colabora com as investigações. A corporação afirmou ainda que não tolera desvios de conduta e que adotará todas as medidas cabíveis caso as irregularidades sejam confirmadas.

(Com informações da Folha de São Paulo por Tomás Braga)

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