Conselho Federal de Medicina estabelece novas regras para publicidade médica no Brasil

Data:

medicina nuclear
Créditos: Utah778 | iStock

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou uma série de regras que regem a publicidade feita por médicos em todo o Brasil, em uma coletiva de imprensa realizada em Belo Horizonte nesta terça-feira (12). A nova resolução busca estabelecer diretrizes claras para a comunicação dos profissionais de saúde, abordando várias questões cruciais relacionadas à publicidade médica.

Uma das mudanças mais significativas é a autorização para médicos de clínicas em todo o país publicarem imagens de “antes e depois” de tratamentos, incluindo procedimentos estéticos, desde que obtenham o consentimento prévio e expresso do paciente. Essa prática, que já era comum nas redes sociais e em websites de profissionais da saúde, agora será oficialmente regulamentada, fornecendo orientações claras sobre como realizar essas postagens de maneira ética e transparente.

Além disso, a resolução aborda uma série de outras questões importantes relacionadas à publicidade médica:

Definição de Especialidades Médicas: A nova regulamentação esclarece a diferença entre ser pós-graduado em uma área da medicina e ser oficialmente reconhecido como especialista. Para utilizar o título de especialista, os médicos devem possuir um Registro de Qualificação de Especialista (RQE) registrado no Conselho Regional de Medicina. Os médicos pós-graduados podem mencionar essa formação em seus currículos, mas não podem se autodenominar especialistas.

Uso de Imagens de Pacientes: A resolução estabelece diretrizes rigorosas para o uso de imagens de pacientes em publicidade médica. Qualquer imagem que identifique um paciente só pode ser utilizada com o consentimento prévio e por escrito do paciente. Essa medida visa proteger a privacidade e a confidencialidade dos pacientes.

Publicidade de Medicamentos e Métodos não Comprovados Cientificamente: A nova regulamentação proíbe a publicidade de medicamentos, suplementos, tratamentos ou métodos que não tenham respaldo científico ou aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa medida visa proteger os pacientes de informações enganosas ou potencialmente prejudiciais.

Promessas de Resultados: Os médicos não podem garantir resultados específicos aos pacientes, uma vez que cada organismo responde de forma individual aos tratamentos médicos. A resolução proíbe qualquer forma de promessa de resultados como parte da publicidade médica.

Continuidade de Selfies com Pacientes Famosos: A nova regulamentação permite que médicos continuem publicando selfies com pacientes famosos ou celebridades da mídia após procedimentos médicos. No entanto, essas imagens não devem sugerir ou prometer resultados específicos, garantias ou endorsements.

Conselho Federal de Medicina estabelece novas regras para publicidade médica no Brasil | Juristas
Crédito:golubovy / istock

O desenvolvimento dessa resolução envolveu um período de três anos de estudo e consulta pública, que recebeu mais de 2.600 sugestões de profissionais de saúde e associações médicas em todo o país. De acordo com o CFM, o texto final será publicado no dia seguinte à coletiva de imprensa, em 13 de setembro, e as clínicas e médicos terão até 11 de março de 2024 para se adaptarem às novas regras. Após essa data, a conformidade com as diretrizes se tornará obrigatória e será fiscalizada pelo CFM.

Essa regulamentação representa um esforço significativo para promover uma publicidade médica ética e transparente no Brasil, protegendo a privacidade dos pacientes e garantindo que as informações médicas sejam baseadas em evidências científicas sólidas.

Erro médico
Imagem meramente ilustrativa – Créditos: daizuoxin / iStock

De acordo com o presidente do CFM, Iran Gallo, a medida ajuda a aproximar a medicina da população por meio da transparência, além de atender pedidos de médicos de todo o Brasil.

“Deixamos o médico publicar seus sucessos, e ao mesmo tempo, esclarecer ao paciente que essa resolução é de grande importância para a população. Ela ajuda [a população] saber quem é seu médico, se ele tem registro de especialidade, por exemplo, e se a clínica está preparada para receber o caso”, contou.

Com informações do UOL e G1.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Meta restringe uso por adolescentes e amplia pressão global sobre redes sociais

A decisão da Meta de restringir o uso de redes sociais por adolescentes nos EUA intensificou a pressão internacional para que plataformas digitais adotem medidas mais eficazes de proteção de crianças e adolescentes. Países como Austrália, Estados Unidos, integrantes da União Europeia e nações asiáticas discutem limites de idade, controle parental, verificação etária e mudanças em recursos que podem estimular o uso excessivo das redes.

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo