Distrito Federal é condenado a indenizar aluna vítima de abuso sexual praticado por professor da rede pública

Data:

abuso de direito
Créditos: seb_ra | iStock

A 4ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal condenou o Distrito Federal ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil a uma estudante da rede pública de ensino, vítima de abuso sexual praticado por professor entre os anos de 2023 e 2024.

De acordo com os autos, a autora da ação foi submetida, de forma reiterada, a atos de natureza sexual praticados por servidor público lotado na instituição de ensino que frequentava. Os fatos foram objeto de inquérito policial e, posteriormente, ensejaram a propositura de ação penal, que resultou na condenação do agente a 10 anos de reclusão em regime fechado. A parte autora pleiteou, inicialmente, reparação no montante de R$ 300 mil a título de danos morais.

Em contestação, o ente federativo alegou ilegitimidade passiva e ausência de nexo causal entre a conduta do servidor e eventual responsabilidade do Estado, sustentando que os atos ilícitos ocorreram em contexto estritamente pessoal, sem vinculação com o exercício das funções públicas.

A magistrada, no entanto, afastou as preliminares suscitadas e reconheceu a responsabilidade objetiva do Estado, nos termos do artigo 37, §6º, da Constituição Federal, segundo o qual as pessoas jurídicas de direito público respondem pelos danos que seus agentes causem a terceiros no exercício de suas funções. Para a juíza, restou configurada falha na prestação do serviço educacional, especialmente quanto ao dever de guarda, vigilância e proteção da aluna.

A sentença ressaltou o dever constitucional do Estado de assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes contra qualquer forma de violência, bem como a obrigação institucional dos profissionais da educação de preservar a integridade física, psíquica e moral dos discentes. A reiteração dos abusos, a idade da vítima à época dos fatos e o ambiente escolar como local da prática delitiva foram considerados elementos agravantes na fixação da indenização.

O valor de R$ 100 mil foi arbitrado com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, considerando a extensão do dano e a gravidade da conduta.

A decisão é passível de recurso.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo