Empresa dona de aplicativo de mensagens indenizará vítima de golpe, decide Justiça

Data:

golpes por aplicativos de mensagens
Créditos: Weedezign | iStock

A empresa mantenedora de um aplicativo de mensagens e a titular da conta bancária utilizada em um esquema fraudulento foram condenadas a restituir solidariamente R$ 9,9 mil ao autor da ação. A empresa também foi condenada a pagar R$ 10 mil em perdas e danos à vítima por descumprir uma decisão judicial que ordenava a divulgação de registros de acesso e outros dados do responsável pela conta falsa. A sentença proferida pela 2ª Vara da Comarca de Bariri atendeu ao pedido da vítima do golpe, que entrou com a ação judicial.

Segundo o processo, a vítima transferiu R$ 9,9 mil para uma conta bancária após receber uma mensagem de um número desconhecido, mas com a foto de seu filho, pedindo ajuda para realizar um pagamento. A fraude só foi descoberta depois que a vítima enviou o comprovante de operação para o número correto do filho. O juiz Mauricio Martines Chiado considerou a fraude comprovada e o prejuízo suportado pela vítima.

O juiz afirmou que geralmente os provedores de aplicação não são responsabilizados em casos de golpes desse tipo, mas a empresa foi considerada responsável por contribuir com a perpetuação do ilícito e atrair a responsabilidade objetiva e solidária em relação à reparação dos danos causados à vítima da fraude. Isso ocorreu porque a empresa não cumpriu sua obrigação judicial de fornecer os endereços de IP, o que retirou dos autores a possibilidade de identificar os fraudadores.

O juiz ainda aplicou a Teoria da Perda de uma Chance, que estabelece que uma pessoa pode ser responsabilizada pelo ilícito praticado por um terceiro caso descumpra seus deveres legais/contratuais e retire qualquer possibilidade de o prejudicado responsabilizar o verdadeiro causador do dano. O processo corre em segredo de justiça e cabe recurso da decisão.

Jurisprudência envolvendo o aplicativo WhatsApp do Facebook
Créditos: Photoplotnikov / iStock
Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo