Erro judiciário: homem preso por 530 dias será indenizado pelo Estado de São Paulo

Data:

Naufrágio - Indenização
Créditos: Kesu01 / iStock

A 11ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo condenou a Fazenda Pública estadual a pagar indenização de R$ 386,8 mil a Jonathan Santana Macedo, que permaneceu 530 dias preso preventivamente com base em reconhecimentos fotográficos e pessoais realizados em desacordo com o artigo 226 do Código de Processo Penal (CPP). A decisão é do juiz de Direito Fausto Dalmaschio Ferreira, que reconheceu a responsabilidade civil objetiva do Estado por falha na persecução penal.

Segundo os autos, o autor foi preso preventivamente em razão de denúncias anônimas e de reconhecimentos realizados de forma irregular, sem o devido respaldo em provas independentes. Após quatro anos de tramitação, foi absolvido em 2024.

Na ação de indenização, Jonathan alegou ter sofrido danos materiais e morais, inclusive em decorrência da separação forçada de seu filho, pessoa com deficiência, durante o período em que esteve encarcerado.

Na sentença, o magistrado destacou que a responsabilidade civil do Estado é objetiva, nos termos do art. 37, §6º, da Constituição Federal, e que a privação de liberdade baseada apenas em provas frágeis viola o devido processo legal e o sistema acusatório.

O juiz enfatizou que os reconhecimentos não seguiram o rito legal — como a apresentação do suspeito ao lado de pessoas com características semelhantes — e que houve ausência de diligências complementares para confirmar a autoria dos fatos imputados. Para ele, o procedimento adotado resultou em um erro judiciário com grave impacto à dignidade e integridade do autor, configurando ilícito indenizável.

A indenização foi fixada nos seguintes termos:

  • R$ 300 mil por danos morais sofridos diretamente pelo autor;
  • R$ 50 mil por dano moral reflexo, em razão dos prejuízos causados ao filho do autor;
  • R$ 36.832,05 a título de danos materiais, correspondentes à remuneração que Jonathan deixou de receber durante o período da prisão preventiva.

Os valores deverão ser corrigidos pela taxa Selic, conforme entendimento consolidado do STF e do STJ, com incidência a partir da data da prisão. O Estado também foi condenado ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios.

Processo: 1037851-23.2025.8.26.0053

(Com informações do Portal Migalhas)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo