
O governo dos Estados Unidos revisou a denúncia contra Nicolás Maduro, retirando a acusação de que o ex-presidente venezuelano lideraria diretamente o Cartel de Los Soles, grupo supostamente envolvido com o tráfico de drogas na Venezuela. A nova versão, divulgada pelo Departamento de Justiça, mantém acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, mas suaviza a linguagem anterior sobre o comando direto da organização.
A mudança representa um distanciamento da denúncia original de 2020, quando Washington sustentava que Maduro chefiava uma organização terrorista ligada ao tráfico internacional de drogas. A revisão foi relatada pelo The New York Times, destacando que, em 2025, os EUA voltaram a afirmar que o Cartel de Los Soles seria liderado por Maduro, pouco antes da operação militar que resultou na prisão do ex-presidente e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026, em Caracas.
Na nova denúncia, Maduro não é mais descrito como “chefe de uma organização terrorista narcotraficante”, mas sim como alguém que “participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção ligada ao tráfico de drogas”, da qual teria se beneficiado financeiramente. Ele responderá a quatro acusações relacionadas a narcoterrorismo, incluindo conspiração para tráfico de cocaína e posse de armamentos destinados ao tráfico.
O Cartel de Los Soles, antes tratado como organização formal, passa a ser referido apenas como um sistema de clientelismo e corrupção entre membros da elite militar e política venezuelana, sem hierarquia definida. Segundo a acusação, tanto Maduro quanto o ex-presidente Hugo Chávez estariam envolvidos nesse esquema, que permite que lucros do tráfico de drogas fluam por uma rede de elites civis, militares e de inteligência.
A prisão ocorreu no âmbito da operação “Absolute Resolve”, com o casal transferido para custódia federal nos EUA e à disposição do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York. Em audiência realizada em 5 de janeiro, Maduro declarou-se inocente, afirmando ser um “prisioneiro de guerra”.
A denúncia detalha os quatro crimes imputados: conspiração para narcoterrorismo; conspiração para tráfico de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; e conspiração para posse de metralhadoras para uso pelo narcotráfico.
(Com informações do Migalhas)
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