Governo dos EUA passa a controlar acesso às IAs mais avançadas da OpenAI e Anthropic

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Futuro do Direito - Inteligência Artificial
Créditos: Pete Linforth / Pixabay

A administração do presidente Donald Trump deu um novo passo na regulamentação da inteligência artificial ao estabelecer que o governo dos Estados Unidos será responsável por aprovar quais empresas poderão utilizar os modelos mais avançados desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic. A medida marca uma mudança significativa na política norte-americana para o setor, que até então defendia uma abordagem de menor intervenção estatal.

A OpenAI anunciou que, temporariamente, o acesso ao seu novo modelo de inteligência artificial dependerá de autorização do governo federal, enquanto são discutidas regras permanentes para a utilização dessas tecnologias. Poucas horas depois, o Departamento de Comércio informou à Anthropic que seu modelo mais recente, o Mythos 5, somente poderá ser disponibilizado a uma lista restrita de empresas sediadas nos Estados Unidos.

A mudança ocorre poucos meses após o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Durante a campanha e no início do mandato, o presidente havia defendido uma política de reduzida interferência governamental sobre o desenvolvimento da inteligência artificial, criticando as iniciativas da gestão anterior para estabelecer padrões de segurança para os modelos de IA.

Contudo, o surgimento de sistemas capazes de identificar vulnerabilidades em softwares e executar tarefas avançadas de cibersegurança levou autoridades norte-americanas a reavaliar os riscos associados à disseminação dessas ferramentas. O governo passou a considerar que tecnologias dessa natureza possuem potencial de impacto sobre a segurança nacional e, por isso, exigem maior controle sobre sua distribuição.

A OpenAI demonstrou desconforto com a nova política. O diretor-executivo da empresa, Sam Altman, afirmou publicamente que não considera adequado que o governo escolha quais clientes poderão utilizar seus modelos. Em nota oficial, a companhia ressaltou que não pretende que esse mecanismo de autorização se torne permanente, mas afirmou aceitar a medida como solução transitória enquanto são definidas regras mais abrangentes.

A Anthropic enfrenta restrições ainda mais rigorosas. Nas semanas anteriores, o governo americano proibiu a empresa de disponibilizar seus modelos Mythos 5 e Fable 5 para qualquer cidadão que não seja norte-americano, incluindo funcionários estrangeiros da própria companhia. Após negociações com o Departamento de Comércio, a empresa recebeu autorização para restabelecer o acesso apenas a um pequeno grupo de empresas consideradas parceiras confiáveis nas áreas de infraestrutura crítica e defesa cibernética.

Segundo o secretário de Comércio, Howard Lutnick, somente organizações previamente aprovadas pelo governo poderão utilizar o Mythos 5, permanecendo sob responsabilidade da administração federal a atualização da lista de empresas autorizadas.

A decisão provocou críticas de representantes da indústria de tecnologia e de parlamentares. Especialistas apontam que a medida concentra nas mãos do governo o poder de decidir quem terá acesso às ferramentas mais avançadas de inteligência artificial, sem que os critérios adotados sejam amplamente divulgados.

Ao mesmo tempo, empresas do setor reconhecem que algum nível de regulação tornou-se inevitável diante da crescente capacidade desses sistemas de serem empregados tanto em aplicações comerciais quanto em operações de segurança cibernética e defesa.

Além das repercussões internas, a nova política também gerou preocupação entre governos estrangeiros. Países aliados demonstraram receio de que empresas, universidades e órgãos públicos internacionais possam perder acesso às tecnologias mais avançadas desenvolvidas nos Estados Unidos.

Como reflexo desse cenário, iniciativas voltadas ao desenvolvimento de modelos nacionais de inteligência artificial vêm ganhando força. No Canadá, por exemplo, as empresas Cohere e Bell anunciaram uma parceria para criar uma infraestrutura de IA soberana, reduzindo a dependência tecnológica em relação aos fornecedores norte-americanos.

A decisão da administração Trump evidencia uma mudança de paradigma na política de inteligência artificial dos Estados Unidos, aproximando o setor de um modelo de controle semelhante ao aplicado a tecnologias consideradas estratégicas para a defesa e a segurança nacional.

(Com informações do Washington Post por Gerrit de Vynck e Isaac Arnsdorf)

 

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