Pastor que prometia empregos na Polícia Federal é condenado por estelionato

Data:

Pastor que prometia empregos na Polícia Federal é condenado por estelionato | Juristas
Créditos: Halfpoint/Shutterstock.com

A juíza federal Marisa Vasconcelos da 1ª Vara Federal de Taubaté/SP condenou um pastor religioso por estelionato na obtenção de vantagens financeiras indevidas de ao menos cinco vítimas sob promessas de emprego na Polícia Federal (PF). A magistrada estipulou a pena em 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, além da reparação de danos (R$ 5.870,00).

Conforme a denúncia, o acusado, prevalecendo-se de sua posição de pastor em uma igreja, dizia para as vítimas que possuía influência na Polícia Federal de São José dos Campos/SP e que poderia lá empregá-las, sem a necessidade de concurso, em funções como “agente administrativo”, “motorista executivo” e “supervisor de motorista executivo”. Para isso, mostrava contatos em seu celular que apontavam como sendo de pessoas da PF e solicitava, na ocasião, R$ 1.500 de cada vítima sob a alegação de que o dinheiro serviria para custear a inserção do nome em um cadastro e em um curso preparatório. Assim, receberiam um salário a partir do primeiro dia de aula.

informações falsas
Créditos: BrianAJackson | iStock

Uma vez aceita a proposta, as vítimas recebiam formulários, declarações e outros documentos utilizados para a posse de servidores na Polícia Federal, todos com o brasão da República e a identificação do órgão. Além disso, para reforçar sua estratégia e manter as vítimas em erro pelo maior tempo possível, enviava telegramas com informações sobre o andamento das supostas contratações, agendava e acompanhava “avaliações psicológicas” sob o argumento de que era requisito para o ingresso nos cargos prometidos.

No depoimento, o réu alegou ter sido enganado por outras pessoas que conheceu em Campinas e que elas seriam as verdadeiras responsáveis pela fraude. Disse que todo o dinheiro obtido foi repassado a esses indivíduos, por meio de transferências bancárias, mas que não tinha como comprová-las. Ainda, afirmou que ofertava vagas em empresas terceirizadas, prestadoras de serviços à Polícia Federal.

Empréstimo de Dinheiro
Créditos: Rangizzz / Depositphotos

Para a juíza federal, todos os elementos do artigo 332 do Código Penal estão presentes na denúncia, já que trata da solicitação e obtenção de vantagem patrimonial a pretexto de influir em ato a ser praticado por funcionários públicos, supostamente responsáveis pela contratação de pessoal na Polícia Federal, não havendo que se falar em desclassificação dos fatos para o crime de estelionato.

“A materialidade do crime ficou comprovada com a oferta de função ou cargo a ser ocupado na instituição pública, a solicitação de quantidade em dinheiro para influir na contratação, o recebimento da vantagem patrimonial pelo acusado, bem como a entrega de documentos necessários à posse e realização de exame psicológico admissional”, disse Marisa Vasconcelos.

No tocante à autoria, a magistrada também concluiu que ficou comprovado, inclusive com a presença do dolo consistente na vontade livre e consciente do réu. “O interrogatório do acusado em solo policial e na audiência de instrução, bem como os depoimentos prestados pelas testemunhas, demonstram que ele foi autor do crime”.

varas especializadas
Créditos: Alfexe | iStock

Por fim, a juíza afirmou que tendo agido a mando de terceiros ou por conta própria, é certo que ele praticou as condutas delitivas descritas no caput do artigo 332 do CP. “Ainda que tivesse repassado os ganhos financeiros para outras pessoas, seus atos estariam abarcados pelo tipo penal. Ademais, ainda que não tivesse efetivamente obtido as vantagens patrimoniais, o delito se consuma com a mera solicitação ou aceitação de promessa de vantagem”.

Com informações do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.


Fique por dentro de tudo que acontece no mundo jurídico no Portal Juristas, siga nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram e Linkedin. Participe de nossos grupos no Telegram e WhatsApp. Adquira sua certificação digital e-CPF e e-CNPJ na com a Juristas Certificação Digital, entre em contato conosco por e-mail ou pelo WhatsApp (83) 9 93826000

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Revista Juristas amplia sua presença no cenário jurídico nacional e valoriza a produção intelectual brasileira

A Revista Juristas vem ampliando sua presença no cenário jurídico brasileiro ao promover a divulgação da produção intelectual de profissionais que contribuem para o desenvolvimento do Direito, o fortalecimento das instituições e o aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Com 11 edições publicadas até outubro de 2026, a revista reúne entrevistas, artigos e reflexões sobre temas que influenciam diretamente a sociedade brasileira.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo