Influenciador é alvo de ação do MP-SP por defender restrição do direito de voto de pessoas pobres

Data:

Influenciador é alvo de ação do MP-SP por defender restrição do direito de voto de pessoas pobres | Juristas
Créditos: Zolnierek / Shutterstock.com

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador digital Leonardo Marcondes, acusado de publicar conteúdos considerados discriminatórios contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.

A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital e sustenta que o influenciador utilizou suas redes sociais para difundir discurso de ódio ao defender, em vídeos publicados na internet, que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto.

Entre os pedidos formulados pelo MP-SP estão a retirada do perfil do influenciador no Instagram, que reúne mais de 1,4 milhão de seguidores, a condenação ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, além da proibição de novas publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas de baixa renda.

Vídeo motivou a ação

Segundo a ação, um dos vídeos publicados por Leonardo Marcondes afirma que pessoas pobres não deveriam participar das eleições por, supostamente, não possuírem capacidade para tomar decisões que afetariam o país.

Para o Ministério Público, as declarações extrapolam os limites da liberdade de expressão ao promover discriminação baseada na condição socioeconômica das pessoas.

A Promotoria classifica a conduta como aporofobia, termo utilizado para designar aversão, rejeição ou discriminação contra pessoas pobres.

Conteúdo não seria isolado

De acordo com o MP-SP, o vídeo que deu origem à ação não representa um episódio isolado.

A Promotoria afirma que outras publicações do influenciador contêm declarações ofensivas dirigidas à população de baixa renda, incluindo afirmações de que pessoas pobres não deveriam exercer determinados direitos ou que seriam, de forma generalizada, preguiçosas.

Na avaliação do órgão, o conjunto das publicações busca desqualificar e excluir pessoas economicamente vulneráveis da participação política e do debate público, configurando discurso de ódio incompatível com os direitos fundamentais assegurados pela Constituição.

Pedido de tutela de urgência

O Ministério Público sustenta que a permanência das publicações nas redes sociais amplia continuamente os danos, em razão da facilidade de compartilhamento e reprodução do conteúdo.

Por esse motivo, requereu a concessão de tutela de urgência para determinar a remoção do vídeo questionado e, também, do perfil do influenciador no Instagram até o julgamento da ação.

Segundo a Promotoria, a indenização pleiteada possui caráter reparatório, pedagógico e preventivo, buscando desestimular a repetição de condutas semelhantes.

Divulgação de cursos também é questionada

Além das publicações, o MP-SP questiona a divulgação de cursos, palestras e mentorias oferecidos por Leonardo Marcondes.

Conforme a ação, o influenciador declarou, em depoimento prestado ao próprio Ministério Público, que não possui formação superior concluída.

A Promotoria sustenta que essa circunstância levanta questionamentos sobre a qualificação apresentada ao público para comercialização dos conteúdos oferecidos em suas plataformas digitais.

Defesa

Em nota, a defesa de Leonardo Marcondes informou que ainda não foi citada no processo e que não teve acesso aos autos.

Os advogados afirmaram que somente irão se manifestar após a notificação oficial e a análise integral da ação.

O caso será analisado pela Justiça de São Paulo, que decidirá sobre os pedidos de tutela de urgência e o mérito da ação civil pública.

(Com informações do G1 por Walace Lara e Rodrigo Rodrigues)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo