Ministros do STF relembram episódios de violência em presídios e destacam riscos da carreira policial penal

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homem morto
Créditos: welcomia | iStock

Durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da lei que organiza a carreira da Polícia Penal em São Paulo, os ministros Luiz Fux e Gilmar Mendes relembraram episódios de violência ocorridos em unidades prisionais brasileiras e destacaram os riscos enfrentados pelos profissionais responsáveis pela segurança no sistema penitenciário.

Ao abordar as condições de trabalho dos policiais penais, Luiz Fux ressaltou que esses agentes atuam em ambientes que abrigam integrantes de organizações criminosas e ficam expostos à violência praticada por facções. Para ilustrar a gravidade da situação, o ministro mencionou motins registrados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, atualmente denominado Complexo Penitenciário de São Luís, no Maranhão.

Fux também relatou um episódio ocorrido em 2013, no qual um detento foi morto por integrantes de uma facção rival e partes de seu corpo foram consumidas pelos responsáveis pelo crime. O ministro destacou que situações dessa natureza evidenciam a complexidade e os perigos presentes no sistema prisional. Ele também mencionou o enfrentamento ao crime organizado em unidades penitenciárias de Mato Grosso e afirmou que a insegurança afeta policiais penais em diferentes regiões do país.

O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, ressaltou que os desafios relacionados à segurança pública ultrapassam as fronteiras estaduais. Ao recordar uma visita a Belém, no Pará, mencionou a transformação de um antigo presídio no espaço cultural São José Liberto, durante a gestão do então governador Simão Jatene. Segundo o ministro, o local havia sido palco de um motim em que detentos utilizaram a cabeça de outro preso como bola de futebol.

Gilmar Mendes também destacou a importância da integração entre os órgãos responsáveis pela segurança pública e alertou para os riscos de interferências políticas que possam comprometer a atuação dessas instituições. Em sua manifestação, enfatizou a necessidade de fortalecer a organização e a coordenação do sistema de segurança pública.

As declarações ocorreram durante a análise da legislação paulista que estrutura a carreira da Polícia Penal. O debate trouxe à discussão as condições de trabalho dos agentes penitenciários, a atuação de organizações criminosas dentro das unidades prisionais e os desafios institucionais para garantir a segurança nesses ambientes.

Processo: ADIn 7.781.

(Com informações do Migalhas)

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