Paciente denuncia médico por racismo após ser identificada como “cativeiro” em clínica

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TJGO mantém condenação de policial militar por injúria racial
Créditos: icedmocha / Shutterstock.com

Uma paciente negra denunciou um médico por possível prática de racismo após ter seu nome exibido em um painel eletrônico de uma clínica em Maceió (AL), acompanhado da expressão “cativeiro”. O episódio ocorreu enquanto Christiane da Fonseca aguardava atendimento com o marido, Rafael Gonzaga, também negro.

Segundo o casal, outros pacientes haviam sido chamados anteriormente pelo mesmo painel eletrônico com identificações distintas. Conforme o relato, dois pacientes teriam sido direcionados à “sala VIP”, enquanto outra pessoa teria sido identificada como “cafofo”. Quando chegou a vez de Christiane, entretanto, o painel teria exibido a expressão “cativeiro”.

Rafael afirmou, em publicação nas redes sociais, que questionou imediatamente a utilização da expressão. De acordo com o relato do casal, o médico teria reconhecido que foi responsável pelas denominações e afirmado que pretendia “alegrar” a sexta-feira.

O casal contestou a justificativa e afirmou que a situação ultrapassaria os limites de uma brincadeira. Rafael declarou que a associação feita no painel foi interpretada como uma referência de caráter racista e afirmou que o episódio causou forte impacto emocional em ambos. Segundo ele, “racismo não é humor” e a utilização de referências relacionadas ao período de escravidão não poderia ser tratada como entretenimento.

Após o episódio, o casal acionou a Polícia Militar. Os envolvidos foram encaminhados à Central de Flagrantes, onde prestaram depoimentos. Posteriormente, a denúncia foi formalizada na Delegacia Especial de Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina.

O advogado que representa o casal, classificou o episódio como possível caso de racismo recreativo e destacou a diferença entre as expressões utilizadas para identificar os pacientes. Segundo o advogado, a apuração deve considerar o contexto em que o termo “cativeiro” foi empregado e a associação feita em relação à paciente negra.

A utilização de referências relacionadas ao período de escravidão em uma situação de atendimento médico poderá ser analisada pelas autoridades responsáveis pela investigação, que deverão avaliar as circunstâncias do episódio, a intenção atribuída à conduta e os demais elementos colhidos durante a apuração.

O caso também reacende o debate jurídico sobre discriminação racial e sobre a responsabilização de condutas que, sob a justificativa de humor ou brincadeira, possam atingir a dignidade de pessoas em razão de sua raça ou cor.

(Com informações do Migalhas)

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