
Uma paciente negra denunciou um médico por possível prática de racismo após ter seu nome exibido em um painel eletrônico de uma clínica em Maceió (AL), acompanhado da expressão “cativeiro”. O episódio ocorreu enquanto Christiane da Fonseca aguardava atendimento com o marido, Rafael Gonzaga, também negro.
Segundo o casal, outros pacientes haviam sido chamados anteriormente pelo mesmo painel eletrônico com identificações distintas. Conforme o relato, dois pacientes teriam sido direcionados à “sala VIP”, enquanto outra pessoa teria sido identificada como “cafofo”. Quando chegou a vez de Christiane, entretanto, o painel teria exibido a expressão “cativeiro”.
Rafael afirmou, em publicação nas redes sociais, que questionou imediatamente a utilização da expressão. De acordo com o relato do casal, o médico teria reconhecido que foi responsável pelas denominações e afirmado que pretendia “alegrar” a sexta-feira.
O casal contestou a justificativa e afirmou que a situação ultrapassaria os limites de uma brincadeira. Rafael declarou que a associação feita no painel foi interpretada como uma referência de caráter racista e afirmou que o episódio causou forte impacto emocional em ambos. Segundo ele, “racismo não é humor” e a utilização de referências relacionadas ao período de escravidão não poderia ser tratada como entretenimento.
Após o episódio, o casal acionou a Polícia Militar. Os envolvidos foram encaminhados à Central de Flagrantes, onde prestaram depoimentos. Posteriormente, a denúncia foi formalizada na Delegacia Especial de Crimes contra Vulneráveis Yalorixá Tia Marcelina.
O advogado que representa o casal, classificou o episódio como possível caso de racismo recreativo e destacou a diferença entre as expressões utilizadas para identificar os pacientes. Segundo o advogado, a apuração deve considerar o contexto em que o termo “cativeiro” foi empregado e a associação feita em relação à paciente negra.
A utilização de referências relacionadas ao período de escravidão em uma situação de atendimento médico poderá ser analisada pelas autoridades responsáveis pela investigação, que deverão avaliar as circunstâncias do episódio, a intenção atribuída à conduta e os demais elementos colhidos durante a apuração.
O caso também reacende o debate jurídico sobre discriminação racial e sobre a responsabilização de condutas que, sob a justificativa de humor ou brincadeira, possam atingir a dignidade de pessoas em razão de sua raça ou cor.
(Com informações do Migalhas)
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